Coroa de Nossa Senhora com novo protagonismo no renovado Museu do Santuário de Fátima
18 de out. de 2022, 15:09
— Lusa/AO Online
Após
um período de encerramento, o Museu do Santuário de Fátima voltou a
abrir portas com discurso expositivo renovado para ir ao encontro de
dois objetivos principais, explicou, numa visita guiada, Marco
Daniel Duarte.Por um lado,
reconfiguraram-se os espaços da exposição permanente “Fátima Luz e Paz”
de forma a “acolher mais grupos, com um maior número de peregrinos”, que
antes estavam limitados pela exiguidade de algumas zonas. Por outro,
procurou-se aumentar o protagonismo dado à Coroa Preciosa de Nossa
Senhora de Fátima.“Esta peça é uma alegoria de toda a exposição que estamos a visitar. É a ‘joia da coroa’”, assumiu o diretor. “É
obviamente a peça que mais atrai visitantes. É ela que atrai 70% das
pessoas que querem vir visitar o Museu do Santuário de Fátima”, que
antes da pandemia, em 2019, contabilizou 75.654 entradas.A
coroa é, simultaneamente, “constituída por joias muito valiosas, mas
também tem aquela bala que o papa [João Paulo II, vítima de atentado em
1982] ofereceu à Virgem de Fátima e que foi encastoada em 1989 no
coração daquela coroa”. “Podemos dizer que
simboliza as dádivas dos peregrinos de Fátima: umas são mais valiosas,
feitas de prata, ouro, diamantes, turquesas, ametistas, e outras que não
têm valia material, como uma bala de latão. Ali temos a síntese do que é
o Museu do Santuário de Fátima”, sublinhou Marco Daniel Duarte.A
museologia hoje apresentada permite agora observar de todos os lados a
coroa que continua a ter “o uso principal nos dias 13, de maio a
outubro, e também nas solenidades da Assunção e da Imaculada Conceição”,
ao coroar a imagem de Nossa Senhora.É na
penumbra, em 1917, que começa a exposição “Fátima Luz e Paz”, terminando
reluzente, com as rosas de ouro oferecidas pelos últimos papas que
visitaram Fátima, Bento XVI e Francisco. “É um percurso imersivo que
coloca o visitante neste caminho entre as trevas e a luz, entre a guerra
e a paz”. Alguns núcleos foram
contextualizados a partir de documentação fotográfica e histórica e
apresenta-se um conjunto de peças novas, como “uma custódia muito
solene” proveniente da Polónia ou o báculo do cardeal António Marto,
oferecido ao Santuário no final do pontificado como bispo de
Leiria-Fátima. Está também patente a peça
mais antiga do espólio, um cálice maneirista de 1610. “Sabemos que está
ligada a uma abadia, mas não conseguimos ainda identificar todo esse
percurso entre essa abadia e quem ofereceu ao Santuário de Fátima”.Em
diversas salas são apresentadas muitas peças de ouro oferecidas ao
longo das últimas décadas ao Santuário, mas o diretor do museu diz ser
“muito difícil” calcular a quantidade de ouro exposto: “Gostamos mais de
olhar para a valia imaterial do que para a valia material. Algumas
peças são muito difíceis de calcular [a quantidade de ouro] porque vêm
agregadas umas às outras e é mesmo muito difícil fazer esse cálculo”. Marco
Daniel Duarte admite que há “um mito de Fátima” relacionado com o ouro,
por causa dos “pequenos tesouros que os peregrinos guardam e que, em
alturas de grandes aflições ou de ações de graças, oferecem à entidade
que se relacionam de forma umbilical, como é a Virgem Maria”. “O
que é diferente neste museu é que as peças de ouro têm o mesmo valor
que têm as outras peças que não têm valia material e essa é a grande
responsabilidade do Santuário: dignificar todos esses objetos. Guardamos
tanto as peças de ouro oferecidas a Nossa Senhora como uma peça de
cera, uma peça de plástico ou uma peça de madeira”, garantiu o diretor. “Nada
do que está aqui foi adquirido pelo Santuário. As pessoas oferecem como
sinal da sua afetividade com a Virgem de Fátima aquilo que entendem ser
materializador desses afetos. Por isso costumo dizer que esta é uma
exposição de afetos”, concluiu Marco Daniel Duarte.