Cordão sanitário “é a forma mais correta” de atuar na Povoação
Covid-19
30 de mar. de 2020, 08:59
— Lusa/AO Online
“Se isso por um lado pode ser
difícil porque há aqui o fecho de muitas empresas, por outro lado é o
tratar de uma situação que nos está a pôr todos em perigo e que dessa
forma é a forma mais correta no momento de atuar”, disse à Lusa Pedro
Melo.A Autoridade Regional de Saúde dos
Açores decretou um cordão sanitário na Povoação devido à
transmissão local do novo coronavírus, que, até ao momento, registou
dois casos positivos neste concelho.Pedro
Melo destacou que se atuou de “forma rápida” no controlo das entradas e
saídas do concelho, com o objetivo de conter a propagação do vírus, não
existindo, por isso, motivos para alarmismos.“[Quero
passar] uma mensagem de tranquilidade, nada de alarmismos, porque a
situação não requer isso. Nós estamos a ver o que está a acontecer pelo
mundo fora e esta medida foi tomada precisamente com a preocupação
de nós não permitirmos a propagação do vírus”, assinalou.O
concelho da Povoação, com cerca de 6.300 habitantes, é composto pelas
freguesias de Povoação, Faial da Terra, Furnas, Nossa Senhora dos
Remédios, Água Retorta e Ribeira Quente.Sobre
as autorizações sobre quem poderá entrar e sair do concelho, o autarca
frisou que não sabe como “irá ser feito”, uma vez que ainda se aguardam
as indicações da Autoridade de Saúde.“Não
tenho muitas dúvidas que pessoas que trabalham no ramo da farmácia e dos
minimercados vão eventualmente ser autorizadas e vai haver algum
controlo com essas pessoas na entrada e na saída”, referiu.Pedro
Melo considera que “agora a exigência será ainda maior” para os
habitantes do concelho, apesar de nos “últimos dias” se ter visto “muito
pouca gente a circular pelas ruas”, com exceção de “algum irresponsável
que faz o que não deve”.“É uma situação
difícil, mas que nós temos de passar por ela com tranquilidade e sempre
serenos, porque só assim” é que se vai “conseguir passar esta situação
da melhor forma possível”, assinalou.Uma das freguesias do concelho é a de Furnas, uma das zonas turísticas mais procuradas na ilha.O
presidente da Junta das Furnas falou de uma freguesia que estava a
cumprir com todas as “normas recomendadas”, ainda antes de serem
impostas, pelo que a sua maior preocupação eram as pessoas que iriam
passear à freguesia.“O que me preocupava,
mais aos domingos, era ver pessoas que vinham de outras localidades para
aqui passear, uma coisa impensável. Ainda hoje (domingo), depois de o cerco ser
decretado, há pessoas que ficaram cá fechadas porque tinham vindo cá
apenas ver as suas casas de férias e passear”, explicou Sandro Ferreira.O
presidente da junta considerou que a implementação de um cerco
sanitário quando existem dois casos confirmados irá permitir “controlar a
situação”.“Estamos a decretar este cerco
sanitário com dois casos confirmados apenas, mas também somos um
concelho que não chega às 7.000 pessoas. Estamos a atuar por antecipação
e vamos ter esperança de que vamos conseguir controlar a situação”,
frisou.Com 15 novos casos identificados no domingo, os Açores registam, até ao momento, 42 casos positivos de
covid-19, dos quais 13 são na ilha de São Miguel, nove na Terceira, sete
em São Jorge, oito no Pico e cinco no Faial.