Coordenador nacional considera que reforma da saúde mental “vai continuar”
10 de out. de 2025, 11:58
— Lusa/AO Online
“No
Orçamento do Estado [para 2026], que tivemos acesso ontem
[quinta-feira], não está sequer a palavra saúde mental. No entanto,
estamos convencidos que há um empenho governamental e que a reforma da
saúde mental vai continuar sem grandes problemas”, afirmou aos
jornalistas Miguel Xavier. O responsável
falava antes da apresentação dos resultados do estudo de implementação
das Equipas Comunitárias de Saúde Mental e debate sobre as Mudanças com
maior impacto no Acesso aos Cuidados e na Transformação dos Serviços, no
Centro Cultural de Belém, em Lisboa. “Nós
começamos com 40 anos de atraso e em seis anos recuperámos quase tudo.
Acho que não está mau”, realçou, acrescentando que Portugal está “a meio
de um caminho” e as equipas comunitárias de saúde mental ainda “não
estão completas”. No discurso de abertura
da apresentação dos resultados do estudo, no âmbito do Dia Mundial da
Saúde Mental, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, referiu que o país
“está hoje a viver uma transformação profunda nos cuidados de saúde
mental”. “É uma transformação entre todos
aqueles que cuidam esta reforma da saúde mental. É também um marco na
revolução dos direitos humanos, a nova lei da saúde mental, a passos
largos, alinhando o nosso país com os princípios internacionais”,
salientou. A governante recordou que já há
40 equipas multidisciplinares de médicos, enfermeiros, psicólogos,
assistentes sociais e terapeutas ocupacionais “espalhadas por todo
país”, cumprindo “o previsto no Plano de Recuperação e Resiliência
(PRR)”.“Sabemos todos que a proximidade
tanto física como humana é essencial e quando os serviços estão
efetivamente enraizados na comunidade tornam-se parte do seu dia a dia
do seu quotidiano. As pessoas sentem-se mais à vontade para procurar
ajuda, confiam mais nos profissionais, abrem-se mais e seguem os
tratamentos com maior segurança e continuidade”, realçou. Ana
Paula Martins acrescentou que o Governo tem estado a “avançar com
medidas concretas” no âmbito do PRR, com a requalificação 20 serviços
locais de saúde mental, a criação de 40 equipas comunitárias, a abertura
de novos serviços de internamento em hospitais gerais, o concurso
público para a criação de 500 lugares em residências para a
desinstitucionalização de pessoas com doença mental grave, até 31 de
outubro, e a criação de 15 centros de responsabilidade integrada (CRI)
de saúde mental.Cinco equipas comunitárias
de saúde mental permitiram em 2023 uma redução superior a 26% nos
internamentos e uma poupança anual estimada de 2,3 a 2,6 milhões de
euros para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).Os
resultados da avaliação económica das equipas comunitárias de saúde
mental financiadas pelo PRR que a Coordenação Nacional das Políticas de
Saúde Mental vai hoje apresentar, em Lisboa, indicam que, em 2023, o
trabalho destes profissionais permitiu reduzir mais de 30% os dias de
internamento e 46,7% os reinternamentos.O
estudo, a que a Lusa teve acesso, analisou cinco das 40 equipas
comunitárias de saúde mental financiadas pelo PRR e mostra resultados
consistentes: em 2022 já se tinha registado uma redução de 28,4% no
número de internamentos, de 26% nos dias de internamento e de 38,4% nos
reinternamentos.Em termos económicos, o
retorno estimado foi de 12,90 euros por cada euro investido em 2022 e de
14,50 euros em 2023. As poupanças anuais nestas cinco equipas ascendem a
2,3 milhões de euros, valor suficiente para financiar entre 11 a 13
novas equipas.