Coordenador de programa alerta para nível de literacia baixo nos Açores
14 de mar. de 2023, 18:44
— Lusa
“O
que se verifica é que o nível geral é baixo. Claro que os nossos
[alunos], tendo partido de tão baixo, atingiram um patamar interessante,
mas, em geral, há preocupação de as turmas deverem melhorar
significativamente o rendimento”, afirmou, em declarações aos
jornalistas, o coordenador do programa A a Z e professor da Universidade
do Minho, João Lopes.O responsável
falava, na Praia da Vitória, na ilha Terceira, à margem da apresentação
dos resultados do ano letivo 2021-2022 do programa, que ajuda a ler
alunos do 1.º e 2.º anos do primeiro ciclo com maiores dificuldades.Iniciado
em 2019, nos Açores, o programa da Iniciativa Educação Teresa e
Alexandre Soares dos Santos foi alargado recentemente a todas as ilhas
do arquipélago.Em 2021-2022, abrangeu 336 alunos nos Açores, mais de metade do total dos alunos abrangidos no país (624).Segundo João Lopes, os resultados foram positivos, mas os níveis de partida eram “muito baixos”.“No caso dos alunos do 1.º ano, conseguimos que praticamente todos os alunos chegassem ao final do ano a ler”, avançou.No
2.º ano, os alunos apoiados pelo programa iniciaram o ano letivo a ler
23 palavras por minuto, menos 19 do que os colegas de turma, mas
terminaram o ano letivo a ler 63 palavras por minuto, mais duas do que
os restantes alunos.“No caso do 2.º ano,
os resultados ainda são mais interessantes, porque os nossos alunos em
apoio atingiram a média da turma. A maior parte deles são
indistinguíveis relativamente à turma”, explicou o coordenador.Para
João Lopes, é preciso uma “melhoria geral” do ensino, pelo que foi
criado um curso de formação à distância, destinado não apenas aos
tutores do programa, mas a todos os professores titulares.“Passará
mais por dar apoio às professoras titulares de outros locais do que
propriamente estar a dar apoios individualizados, porque os apoios
individualizados, para além de representarem um esforço enorme, acabam
por abranger apenas aqueles alunos”, defendeu.O presidente da Iniciativa Educação, Nuno Crato, reconheceu que os números de literacia em Portugal ainda são “preocupantes”.“Cerca
de 20% dos nossos jovens tem grandes dificuldades de leitura e, quando
esses jovens não são acompanhados de forma a ultrapassarem estas
dificuldades, são dificuldades que se repercutem pela vida fora”,
alertou.Nuno Crato, que foi ministro da
Educação, fez uma avaliação “muito positiva” do programa A a Z, frisando
que os alunos apoiados “progrediram a uma velocidade tal que lhes
permitiu alcançar a média da turma”, mas sublinhou que é preciso “fazer
mais”.“Um jovem que não sabe ler não
consegue progredir na sua educação, não consegue aprender geografia,
história, não consegue ser um cidadão ativo. E quanto mais cedo se
começar, melhor”, apontou.O presidente do
Governo Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), José Manuel Bolieiro,
destacou a importância da parceria com a Iniciativa Educação e
manifestou a intenção de alargar o programa a todas as escolas do
arquipélago.“Já conseguimos atingir o 1.º e
2.º ano do 1.º ciclo do ensino básico e estar em todas as ilhas.
Queremos estar em todas as escolas. Não queremos apenas para os
professores tutores, mas para todos os professores poderem ter uma
formação e uma sensibilidade nesta área”, adiantou.O
presidente do executivo açoriano ressalvou que o problema da iliteracia
não se resolve “de um dia para o outro”, mas garantiu que o executivo
não o ignora.“Não poderíamos ignorar na
Educação muitos problemas de insucesso, muitas dificuldades da leitura,
que é essencial para o sucesso educativo, e ficarmos indiferentes.
Expusemos estes problemas e procurámos parceiros para encontrar as
melhores soluções”, vincou.