Cooperativas de laticínios de São Jorge com dificuldades em escoar queijo
Hoje 15:52
— Lusa/AO Online
“Infelizmente,
quando surge uma crise, o queijo de São Jorge, que é um queijo mais
caro, é aquele que sofre logo de início a redução de vendas e estamos a
sentir isso, neste momento, na pele”, desabafou o vice-presidente da
Lactaçores, António Aguiar, ouvido na Comissão de Economia da
Assembleia Regional, reunida em Ponta Delgada.O
administrador, que é também presidente da Uniqueijo (União das
Cooperativas Agrícolas de Laticínios de São Jorge), foi ouvido pelos
deputados a propósito de uma proposta apresentada pelo CDS, que defende a
criação de incentivos à produção de gado de carne como forma de reduzir
o aumento da produção de leite na ilha.“Neste
momento, nós já estamos a restringir a entrada de leite nas
cooperativas”, explicou António Aguiar, acrescentando que, na
cooperativa da Finisterra, a orientação é para “reduzir as produções”,
ao passo que nas cooperativas dos Lourais, Beira e Norte Pequeno, a
indicação dada aos produtores é para “não ultrapassarem os montantes do
ano passado”.Segundo o presidente da
Uniqueijo, além do aumento na produção de leite na ilha, que já
ultrapassa os 31 milhões de litros de leite por ano, as cooperativas
estão também a ter dificuldade em vender o queijo nos mercados
internacionais, como Estados Unidos e Canadá, devido aos efeitos da
crise provocada pela guerra no Médio Oriente.“Além
do aumento de produção, neste momento, por causa do que se está a
passar no mundo, estamos a ter muitas dificuldades e temos ‘stocks’
bastante elevados de queijo em São Jorge”, advertiu o administrador,
acrescentando que é necessário adotar medidas “conjunturais” para evitar
a desvalorização do produto e a eventual perda de rendimento dos
produtores.O CDS-PP propôs a atribuição de
prémios às vacas aleitantes (gado de carne) para resolver este
problema, mas a maioria dos partidos com assento na Comissão de Economia
do parlamento açoriano duvidam que esta seja a solução correta.“Não
entende que aqueles critérios específicos, de maneira como estão
apresentados, geram uma discriminação negativa face a outros produtores
da ilha de São Jorge, desde logo, e face a outros produtores dos Açores,
em geral?”, questionou Pedro Ferreira, deputado da Iniciativa Liberal,
durante a audição parlamentar.Também
Isabel Teixeira, deputada do PS, eleita por São Jorge, alerta para os
riscos que a proposta do CDS pode provocar, nomeadamente, “colocando em
perigo” a produção de leite na ilha: “num ano, subsidia-se a produção,
para que entreguem mais leite, e no outro ano vamos pedir para
subsidiar, para entregarem menos leite”.Já
Francisco Lima, deputado do Chega, considera que produzir leite e
depois não vender o queijo “é um desastre” económico para a ilha de São
Jorge, acrescentando que “é preferível resolver o problema a montante,
restringindo a produção, do que a jusante, com os custos inerentes à
industrialização”.Paulo Silveira, do PSD,
lembrou que há outro investimento a decorrer na ilha de São Jorge, que é
a construção de um novo matadouro, que vai também obrigar os produtores
da ilha a redirecionarem a sua produção para o gado de carne.“Há
agora espaço e condições de alavancar o setor da carne em São Jorge
porque estamos a efetuar a construção de um matadouro de mais de 13
milhões de euros, que está em execução, para valorização da nossa
economia”, lembrou o parlamentar social-democrata, também eleito por São
Jorge.O deputado do CDS, Luís Silveira,
que apresentou a proposta de criação de incentivos à produção de carne
em São Jorge, não esteve presente nesta audição, por se encontrar em
viagem.Nesta altura, há mais de 200
produtores de leite na ilha de São Jorge que entregam o leite das suas
explorações agrícolas em quatro cooperativas de laticínios para a
produção do famoso queijo de São Jorge.