Cooperativa Vitivinícola do Pico com quebras até 60% na produção
29 de set. de 2022, 12:03
— Lusa/AO Online
Em declarações à agência Lusa, Pedro Cavaleiro, avançou que as produções deste ano ficaram “bastante aquém do que era esperado”.“A
produção este ano foi bastante baixa. Houve quebras bastante acentuadas
face àquilo que era a expectativa no momento de afloração. Na
cooperativa, entre aquilo que era expectável receber, as quebras
chegaram aos 50% e 60%. Portanto, é um ano bastante mau”, afirmou.Pedro
Cavaleiro realçou que a cooperativa, que representa mais de 50% da
produção de vinho do Pico, recebeu 125 mil quilos de uva, o que equivale
à produção de 75 mil litros de vinho.“Inicialmente,
quando começamos a preparar a nossa vindima, tínhamos mais ou menos uma
expectativa de receber entre os 200 mil quilos e os 220 mil. Portanto, o
que recebemos este ano foram 125 mil quilos de uva, distribuídos entre
castas brancas e tintas”, declarou.A redução da produção está relacionada com algumas “condicionantes climatéricas”, como chuvas ou ventos “bastante fortes”.“Foi
um conjunto de tempestades, chuvas, ventos bastante fortes em momentos
muito críticos do ciclo da planta que vieram dificultar, no caso de
algumas castas, a própria floração. Depois, com o avançar do tempo, mais
perto da altura da vindima, foi uma altura de chuvas bastante
intensas”, explicou.Pedro Cavaleiro apela à
“reflexão interna” para perceber porque existiram “associados com
produções bastante boas” e outros com “produções muito reduzidas”.“Houve
associados que tiveram produções bastante boas. A diferença poderá ter
sido, por exemplo, a forma como conduziram o tratamento que fizeram à
planta ou como conseguiram segurar a produção”, assinalou.Apesar
da menor produção, o diretor geral da PicoWines realça que os vinhos
deste ano vão ter uma “qualidade muito alta”, devido aos investimentos
realizados pela cooperativa.“Este ano a
cooperativa enveredou um esforço para melhorar consideravelmente o nosso
processo interno. Foram adquiridos diversos equipamentos que
permitiram, logo à partida, fosse como fosse este ano, com muita ou
pouca produção, ter uma qualidade final mais alta”, destacou.Este
ano, a Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico pagou entre os quatro e
os 3,5 euros por quilo de uva das castas brancas de Arinto dos Açores,
Verdelho e Terrantez do Pico.Devido a este
ter sido um “ano tão complexo” para a produção de vinho do Pico, a
cooperativa atribuiu um prémio de mais 50 cêntimos por quilo de uva.“Estes
valores posicionam o que está ser feito nos Açores e a viticultura nos
Açores num patamar muito longe daquilo que se faz em Portugal
continental”, concluiu.A Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico tem 284 associados. Desses, 135 entregaram uvas durante este ano.