Cooperativa de Laticínios do Faial faz permuta da fábrica para saldar dívidas
Hoje 16:38
— Lusa/AO Online
“O negócio, podemos
até considerar, é um acordo de responsabilidade social que permitiu
manter a CALF aberta. Foi a possibilidade que encontrámos, com os nossos
parceiros da Lactaçores, de continuarmos a laborar”, explicou
presidente da direção da cooperativa, Dinis Faria, em declarações à
Lusa.O novo administrador da CALF, eleito
em novembro do ano passado para um mandato de quatro anos, lembra que a
única cooperativa de laticínios da ilha esteve à beira de fechar as
portas devido ao elevado volume de dívidas a fornecedores e à banca, que
rondavam, no final de 2025, 12 milhões de euros.“A
CALF esteve muito perto de fechar as portas, isso é do conhecimento de
toda a gente, por isso, fizemos este acordo, para manter a casa aberta,
manter os postos de trabalho e manter um local onde nós, produtores,
pudéssemos colocar o leite”, justificou Dinis Faria.O
acordo determina que a fábrica de laticínios situada na freguesia dos
Cedros, na ilha do Faial, passa provisoriamente para a posse da
Lactaçores (uma união de três cooperativas: a CALF, no Faial, a
Uniqueijo, em São Jorge, e a Unileite, em São Miguel), em troca da
regularização de uma dívida, no valor de 8 milhões de euros.“Conseguimos
que a nossa dívida ficasse saldada e salvaguardamos também que o nosso
património fica dentro da Lactaçores”, explicou Dinis Faria, adiantando
que, o acordo agora alcançado, impede também que a união de cooperativas
possa vender a unidade fabril a terceiros.Segundo
o novo administrador da CALF, a fábrica de laticínios do Faial tinha,
no final de 2025, um passivo de 12 milhões de euros, em parte fruto da
alegada “gestão danosa” da anterior administração, que Dinis Faria
pretendia levar a tribunal para a responsabilizar por esses atos, mas a
maioria dos associados recusou.“Houve
irregularidades durante a administração anterior, isso é factual.
Trouxemos o caso à Assembleia Geral para as pessoas decidirem, porque
achámos que era o mais importante, mas os sócios entenderam o contrário,
e respeitamos. Para nós, é um assunto encerrado”, argumentou o
presidente da CALF.A regularização das
dívidas da CALF (há ainda 4 milhões de dívida à banca e a fornecedores,
entretanto, renegociada) vai permitir também que a cooperativa faialense
possa recorrer a fundos comunitários para investir na modernização da
fábrica.“Esses investimentos, conseguimos
fazê-los devido a este acordo, porque manteve-nos com rácios para
podermos candidatar-nos a fundos europeus, para fazermos um
investimento, na ordem dos 4 milhões de euros, para modernizar todo o
interior da CALF”, explicou Dinis Faria.A cooperativa de laticínios do Faial é composta por 80 produtores, que entregam 12 milhões de litros de leite por ano.