Cooperação policial foi a "chave" para apreensão de 500 kgs de cocaína em veleiro
9 de out. de 2019, 17:15
— Lusa/AO online
Em
conferência de imprensa, em Lisboa, e na presença de responsáveis
policiais de Espanha, Holanda, Europol e MAOC-N (Marítime Analisys and
Operations Centre - Narcotics), Renato Furtado sublinhou ainda que "as
embarcações de recreio têm sido muito utilizadas para o transporte de
cocaína desde as Caraíbas e de toda a América do Sul para a Europa".Segundo
aquele coordenador da PJ, "boa parte dessas embarcações param nos
Açores por diversas razões, às vezes por avarias, às vezes para se
reabastecerem de alimentos e água", sendo também uma forma das
organizações criminosas transnacionais "transportarem quantidades
bastante significativas, de uma só vez, de cocaína, porque a via aérea
não permite essa escala ao nível do transporte".A
investigação, que permitiu a apreensão de cerca de 500 quilogramas de
cocaína dissimulados no interior do veleiro ‘Imagine’ e que levou à
detenção de dois homens (um holandês e outro estónio), iniciou-se em
Espanha, na zona de Valência, mas teve como rastilho uma informação
vinda diretamente da polícia holandesa, país onde, mais tarde, foram
detidas outras duas pessoas e efetuadas buscas domiciliárias.Renato
Furtado explicou que as polícias e entidades envolvidas na investigação
decidiram, por questões estratégicas, realizar a apreensão da cocaína
na passagem da embarcação pela ilha Terceira (Açores), tendo a operação
sido efetuada no terreno pela PJ local, que encontrou a droga escondida
em "dois espaços distintos" da embarcação.Após
a detenção dos dois ocupantes do veleiro, de 53 e 41 anos - prosseguiu o
coordenador da PJ - foram imediatamente desenvolvidas diligências na
Holanda, com outras duas detenções naquele país e de um outro suspeito
num outro país europeu, que não quis precisar.Renato
Furtado e os restantes responsáveis policiais estrangeiros presentes
hoje na sede da PJ não quiseram também fornecer dados sobre a
envergadura e dimensão da organização criminosa envolvida neste caso,
tendo o coordenador da PJ justifcado que isso poderia prejudicar as
investigações ainda em curso. Notou, no entanto, que a apreensão da
droga e as detenções causaram "danos significativos" naquela organização
criminosa transnacional.Segundo revelou a
PJ em meados de julho, o veleiro com a cocaína tinha partido da América
do Sul e a droga deveria ser entregue num porto europeu. Além da droga,
foi também apreendida uma pistola e outros elementos de prova.A passagem do veleiro na ilha Terceira, no meio do oceano Atlântico, serviria para descanso da tripulação e reabastecimento. O
espanhol Miguel Rodriguez, em representação da Europol, sublinhou na
conferência de imprensa que a "única forma de combater o crime
organizado" transnacional é através de cooperação policial entre os
diversos países."Nenhum país pode combater sozinho este fenómeno", enfatizou o dirigente da Europol.