Convite para Ucrânia integrar aliança "improvável" na Cimeira de Washington
NATO
5 de jul. de 2024, 10:53
— Lusa/AO Online
Numa
antecipação da Cimeira, que decorrerá de 09 a 11 de julho na capital
norte-americana e em que se assinalarão os 75 anos da Organização do
Tratado do Atlântico Norte (NATO), o CSIS avaliou que embora um convite
formal de adesão não esteja no horizonte, os aliados precisarão de
demonstrar que o futuro de Kiev na NATO é mais do que uma metáfora.Quando
se encontrou com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na semana
passada para se preparar para a cimeira, o secretário-geral da NATO,
Jens Stoltenberg, disse que a Ucrânia estará “no topo da agenda" da
cimeira.Antes disso, também o secretário
de Estado norte-americano, Antony Blinken, indicou que durante a Cimeira
serão tomadas "medidas concretas" para aproximar Kiev da Aliança
Atlântica e "garantir que haja uma ponte para a adesão, uma ponte que
seja forte e bem iluminada”.Além disso, as
ambições de Kiev por uma integração europeia mais profunda avançaram na
semana passada, quando iniciou as negociações formais de adesão com a
União Europeia. Com a adesão de Kiev à
NATO a pairar sobre os aliados, os analista do CSIS antecipam que a
Cimeira de Washington poderá render mais compromissos de assistência
prática à Ucrânia, especialmente se concordarem com a ideia de
Stoltenberg de um compromisso de cinco anos e 100 mil milhões de dólares
(92,7 mil milhões de euros) em ajuda militar a Kiev."Uma proposta relatada
é que os aliados se comprometam a manter os níveis atuais de apoio
(cerca de 40 mil milhões de dólares - 37 mil milhões de euros -
anualmente), com contribuições futuras proporcionais ao Produtos Interno
Bruno (PIB), semelhante à promessa de gastos com defesa de 2%", indicou
o 'think tank'De acordo com o Almirante
Rob Bauer, presidente do Comité Militar da NATO, quando tomadas em
conjunto essas medidas sinalizarão ainda mais o apoio de longo prazo da
aliança à Ucrânia, ao mesmo tempo em que tornarão a assistência mais
estável e previsível. "Para cumprir a sua
promessa de Vílnius [capital da Lituânia, que sediou a Cimeira de 2023],
os aliados da NATO estarão interessados em colocar em Washington a
Ucrânia num caminho para se tornar um parceiro militarmente capaz e
interoperável para que, quando o momento político chegar, as forças da
Ucrânia possam integrar-se perfeitamente com as da NATO — assim como as
da Finlândia e da Suécia", avaliou a organização sem fins lucrativos de
investigação política.Num olhar mais
alargado sobre a Cimeira, os analistas frisam que os
Estados-membros precisarão de concordar com quatro pontos: mais
dinheiro, mais poder de combate, mais capacidades e mais cooperação.Além
disso, os aliados da NATO estão cada vez mais convictos que os desafios
que a aliança enfrenta se tornaram interligados com outras regiões.Por
exemplo, 40% do comércio da Europa passa pelo Mar do sul da China cada
vez mais contestado, enquanto a guerra da Rússia na Ucrânia foi
sustentada por importações de munições norte-coreanas e bens chineses de
uso duplo. Nesse sentido, também as parcerias indo-pacíficas serão um tema principal da Cimeira de Washington.De
acordo com Jens Stoltenberg, a Cimeira da NATO em Washington irá
concentrar-se em três tópicos principais: impulsionar a defesa dos
aliados e a dissuasão aliadas; apoiar os esforços da Ucrânia para se
defender; e continuar a fortalecer as parcerias globais da NATO
"especialmente no Indo-Pacífico".A Cimeira será a última de Stoltenberg, que será sucedido no cargo pelo chefe cessante do Governo neerlandês, Mark Rutte.