Convento de Santo André inspira padrões para tapete da procissão
Hoje 09:28
— Daniela Arruda
Na manhã de domingo, o chão da Rua Dr. Guilherme Poças, em Ponta
Delgada, será vestido pelas mãos de vizinhos, depois de ter sido
imaginado pela comunidade. O Museu Carlos Machado dá as aparas tingidas e
os moldes inspirados na memória do antigo convento, e quem participa só
tem de levar boa disposição.A atividade acontece no âmbito do
Projeto Vizinhos, dinamizado pelo Museu Carlos Machado, e convida toda a
população a participar na construção de um tapete para a Procissão do
Senhor Santo Cristo dos Milagres. Não é preciso fazer uma inscrição
prévia, para fazer parte da iniciativa basta aparecer às 10h00 no Núcleo
de Santo André.O projeto começou a ganhar forma ainda em abril, com
uma oficina no âmbito do circuito Memória do Convento, no dia 18 desse
mês. Durante a atividade, os participantes conheceram os espaços do
antigo convento e foram convidados a desenhar aquilo que mais lhes tinha
despertado atenção, como as grades, os padrões arquitetónicos, objetos,
detalhes do chão e do teto, elementos decorativos e também perspetivas
diferentes dos espaços que visitaram.Foi a partir desses desenhos
que nasceram os moldes que agora vão ser usados para desenhar o tapete.
Os padrões não foram pensados por profissionais nem designers, mas sim
pela comunidade, inclusive crianças.“Tudo o que observaram foi
transformado em padrões, as grades do convento, os objetos, os espaços,
aquilo que lhes chamou mais à atenção”, explicou Sara Azad, responsável
pelo Projeto Vizinhos.A oficina foi pensada para 10 pessoas e quase
atingiu o seu limite, sendo que contou com nove participantes. Muitos
eram pais acompanhados pelos filhos, o que resultou num ambiente
familiar e intergeracional: “Não foram só as crianças a desenhar, os
pais também participaram e ajudaram a construir os padrões”, acrescentou
Sara Azad.A responsável conta que a expectativa é que agora alguns
desses participantes apareçam no domingo e que ajudem a construir o
tapete que resultou dos seus desenhos. Ainda assim, Sara Azad sublinha
que a participação é aberta a qualquer pessoa que queira se juntar ao
grupo na manhã de domingo.O material que será usado para dar vida ao
tapete é aquele que já é usado tradicionalmente neste tipo de criações.
Serão usadas aparas tingidas e a criptoméria que tem a cor verde, além
de outras três cores que vão ser usadas para tingir.Os materiais
foram pedidos à Direção Regional das Obras Públicas, uma vez que é a
entidade que habitualmente assegura os tapetes daquela rua e de outros
espaços da cidade durante as festas, quando não há pessoas a fazê-lo.
Sobre a quantidade de aparas, Sara Azad admite que ainda não sabe bem
qual será a quantidade, mas confessa que “terá de ser uma boa
quantidade, tendo em conta que a rua é grande”.Ao longo da manhã, a
vontade é que à frente do Núcleo de Santo André se forme um ponto de
encontro entre vizinhos e visitantes para vestir o chão daquela rua com
aparas coloridas, aproximando pessoas e gerações. Além disso, os moldes
serem resultado do circuito Memória do Convento reforça também a
vontade de aproximar o património histórico às vivências de agora na
cidade, o que torna este tapete diferente dos outros. Este tapete
carrega não só o simbolismo desta época festiva, como também padrões
desenhados pela comunidade depois de uma experiência dentro do convento.E,
como em tantas iniciativas ao ar livre nos Açores, o maior receio é o
estado do tempo. Sara Azad só espera que “o tempo esteja bom”, mas mesmo
que a chuva apareça afirma que “vamos ter de fazer na mesma”.No
domingo, a partir das 10 horas, basta aparecer no Núcleo de Santo André,
é ali que os primeiros metros do tapete vão ser construídos com aparas
e moldes, mas também com participação coletiva.