Controlos de fronteiras na UE ineficazes contra covid-19 e terrorismo

30 de nov. de 2020, 17:58 — Lusa/AO Online

“Deixem-me ser clara: os controlos nas fronteiras internas não são um instrumento eficaz para prevenir o crime e o terrorismo e, por isso, devem ser medidas de último recurso”, declarou Ylva Johansson, intervindo no ‘I Fórum Schengen’, hoje realizado por videoconferência.Lamentando que estes controlos fronteiriços “não detenham os terroristas”, a comissária europeia recordou que este tipo de ações na UE, adotadas por alguns países na primeira vaga da covid-19, também “não impediram a propagação do vírus”.Por outro lado, “sabemos que os controlos fronteiriços param os transportes, o comércio e os turistas”, apontou Ylva Johansson, numa alusão aos impactos económicos do fecho e dos controlos fronteiriços na UE na primavera.“O que será eficaz para deter os terroristas é o trabalho policial e a cooperação em matéria de segurança, e uma cooperação mais estreita nesta área deve, de facto, tornar-se a regra”, vincou a comissária europeia.Já falando na recuperação económica pós-crise da covid-19, a responsável destacou a “importância da livre circulação e do espaço Schengen” para esta retoma, notando que 40% do território Schengen são regiões fronteiriças e que deve ser mantida a livre circulação de pessoas e bens.“É evidente que os controlos nas fronteiras internas iriam prejudicar significativamente o Produto Interno Bruto [PIB] e, no contexto de uma recuperação económica pós pandemia de covid-19, isso não é aceitável”, concluiu Ylva Johansson.Também hoje, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reiterou a importância de preservar o espaço Schengen de livre circulação, apontando que “os primeiros meses da pandemia mostraram o que acontece” quando este deixa de funcionar: “a Europa para”.“Pode parecer um paradoxo, mas esta experiência deixou-me muito otimista relativamente ao futuro de Schengen. É demasiado precioso para todos nós. Não vamos permitir que falhe”, disse a responsável, também discursando no ‘I Fórum Schengen’.A presidente da Comissão Europeia lembrou que já passaram 35 anos desde que um grupo de cinco Estados-membros decidiram remover os controlos fronteiriços entre si.Desde então, o espaço Schengen foi alargado a 26 países e 420 milhões de cidadãos, levando a que “toda uma geração de europeus tenha crescido sem memória de controlos fronteiriços internos sistemáticos”, recordou.