Contraofensiva ucraniana esperada para abril ou maio
Ucrânia
30 de mar. de 2023, 17:44
— Lusa/AO Online
"Depende das
condições climáticas. Na primavera, o solo fica muito húmido. Somente
veículos sobre lagartas podem ser usados. Acho que veremos [a
contraofensiva] em abril-maio", disse Oleksii Reznikov, em declarações a
jornalistas estónios.Há poucos dias, o
Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, garantiu que a contraofensiva
não será possível até que Kiev receba as armas e munições necessárias
para não enviar os soldados para uma morte certa.Reznikov
explicou que o Estado-Maior espera o "momento certo" e que o
contra-ataque vai decorrer em vários setores da frente, sem especificar."Tenho
certeza de que continuaremos a libertar os territórios ocupados, como
já fizemos em Kiev, Chernigiv, Sumi, Kharkiv e Kherson", afirmou.O
ministro, que previu "mudanças muito positivas para a Ucrânia" este
ano, embarcou hoje num dos tanques Marder fornecidos pela Alemanha, que
também despachou o primeiro lote de 18 Leopard 2 na segunda-feira.Na
terça-feira foi a vez dos britânicos Challengers e hoje a ministra da
Defesa espanhola, Margarita Robles, anunciou que Madrid vai enviar seis
Leopard 2 para Kiev assim que estiverem reparados.Sobre
as promessas europeias de um milhão de munições, Reznikov admitiu que o
exército ucraniano precisa de mais para recuperar territórios, embora
tenha especificado que as forças de Kiev gastam entre 4.000 e 7.000
munições por dia, enquanto as de Moscovo usam cerca de 20.000.Na
frente leste, após algumas semanas de impasse, os mercenários do Grupo
Wagner parecem intensificar novamente as suas operações de assalto ao
reduto de Bakhmut, na região de Donetsk.Segundo
o norte-americano Instituto de Estudos da Guerra (ISW), os efetivos do
Grupo Wagner podem ter tomado o complexo metalúrgico de Azom, cujos
túneis serviram de trincheira para os soldados ucranianos durante nove
meses, controlando assim 65% da cidade, e agora estarão a dedicar-se a
limpar a área de inimigos.Enquanto blogues
militares russos falam sobre a tomada do mercado e posições perto do
Palácio da Cultura no centro da cidade, a imprensa oficial indicou que a
luta agora se concentra nas zonas industriais ao sul de Azom.Apesar
de vários aliados e analistas defenderem que as forças ucranianas
deveriam abandonar Bakhmut, Zelensky recusa-se a entregar a cidade, que
se tornou num símbolo da resistência à invasão russa.Falando
à imprensa norte-americana, Zelensky disse hoje que se o Presidente
russo, Vladimir Putin, sentir por um momento que o poder de Kiev é
fraco, ele atacará com todas as suas forças.Na
mesma linha, Reznikov garantiu que os defensores ucranianos "reduziram o
potencial ofensivo russo", o que ajuda as tropas ucranianas "a
estabilizar a linha da frente e a ganhar tempo para preparar a
contraofensiva".Por sua vez, o líder do
Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, voltou hoje a reconhecer o alto custo
em vidas humanas do combate sangrento em Bakhmut."A
batalha por Bakhmut praticamente destruiu o exército ucraniano e,
infelizmente, deixou os Wagner bastante maltratados", declarou.Reznikov
referiu-se igualmente às baixas nesta longa batalha: "Eles também estão
cansados. Sofreram pesadas perdas, muitos mortos e feridos. Normalmente
eles perdem nada menos que quinhentos soldados por dia."O
dilema do exército ucraniano agora é o que fazer com a cidade de
Avdiivka, nos arredores de Donetsk, onde as forças russas também estão a
tentar cercar a cidade.Perder Avdiivka
seria um revés ainda maior do que perder a batalha para Bakhmut, pois
abriria caminho para as tropas russas no centro de Donetsk, de acordo
com o ISW.A ofensiva militar russa no
território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro do ano passado,
mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais
grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).