Contas da SATA representam desvio de "objetivo declarado"
9 de out. de 2019, 05:44
— Lusa/AO Online
"As contas foram apresentadas, até de uma
forma excecional houve uma apresentação pública (...) Foi feito isto de
forma pública, excecionalmente, porque representam um desvio
relativamente ao compromisso do CA ou, pelo menos, o seu objetivo
declarado e público e por nós, Governo Regional, subscrito", declarou a
governante, falando aos jornalistas após ter sido ouvida pela Comissão
de Economia do parlamento dos Açores.As
duas companhias aéreas da SATA registaram no primeiro semestre de 2019
um prejuízo de 33,5 milhões de euros, cabendo à Azores Airlines - que
voa de e para fora dos Açores - a maior fatia das perdas (26,9 milhões).Em
conferência de imprensa tida recentemente em Ponta Delgada, o
presidente do conselho de administração da SATA, António Teixeira,
adiantou ainda que o prejuízo da SATA Air Açores, que faz as ligações
entre as nove ilhas do arquipélago, foi de 6,64 milhões de euros.Em 2018, a SATA registou um prejuízo de 53,3 milhões de euros, um agravamento de 12,3 milhões face ao ano de 2017.Na
apresentação das contas de então, o presidente da empresa manifestou a
intenção de baixar os prejuízos em 2019 para cerca de metade do
registado em 2018, o que foi já assumido como um "compromisso
comprometido".Agora, diz Ana Cunha, que
tutela no executivo regional os Transportes, é preciso continuar a
implementar o plano de reestruturação da empresa, havendo "algumas
medidas já conhecidas" e apresentadas pela administração da empresa
precisamente na conferência de imprensa onde foram apresentados os
números entre janeiro e junho.A conclusão
do processo de 'phase out' (fim de vida) do Airbus A310, a otimização de
escalonamentos de tripulações e a melhoria da regularidade e
pontualidade dos voos, com impacto positivo nas compensações financeiras
a passageiros, são algumas das medidas destacadas pela administração.Nos
voos domésticos, haverá progressivamente a adoção de uma classe única
económica e uma alteração do sistema de 'catering', ao passo que se
encontra em negociação o 'outsourcing' do 'call center' da empresa, o
que só avançará "caso haja benefício direto para o grupo SATA", é
referido.Ana Cunha foi hoje ouvida a
propósito de uma petição que pede que a Assembleia Legislativa dos
Açores delibere no sentido de dar instruções ao Governo Regional para
nomear, com caráter de urgência, uma Comissão de Gestão da SATA.Para
a governante, esta figura jurídica "não tem enquadramento normativo" e
as "competências" que a petição prevê para a comissão "são as de um
conselho de administração, tal como resulta da lei".Para
o primeiro peticionário, André Silveira, também ouvido pelos
parlamentares da Comissão de Economia, há uma "enorme preocupação da
sociedade em geral sobre o estado financeiro e operacional" da
transportadora açoriana, pedindo o responsável um "acordo alargado entre
as forças políticas” para, no "médio a longo prazo", haver uma "solução
estável com profissionais" do setor que administrem a empresa. A ideia da hipotética Comissão de Gestão, reconheceu, seria substituir-se "ao papel do Governo Regional" na gestão da empresa.