Contas da SATA podem “fragilizar”negociação da privatização
13 de jun. de 2025, 09:49
— Carolina Moreira
Em 2024, as companhias do Grupo SATA apresentaram um
prejuízo acumulado de 82,8 milhões de euros (ME), mais do dobro dos 36
ME registados em 2023. No ano passado, o resultado líquido da Azores
Airlines foi negativo em 71,2 ME, enquanto a SATA Air Açores reportou um
prejuízo de 11,6 ME.Em entrevista ao Açoriano Oriental, Gualter
Couto frisou que “estes resultados fragilizam sempre qualquer negociação
de alienação de capital de uma empresa, seja ela qual for”. Sobre o
que estará por detrás dos maus resultados, o presidente da CCIPD frisa
que são vários os “fatores extraordinários que são apontados”, indicando
como “talvez o principal” o processo judicial com a Hifly, “referente
aos encargos contratuais relacionados com uma aeronave A330
(”Cachalote”) dos quais resultaram em impactos acumulados superiores a
30 milhões de euros”. Gualter Couto mostrou-se ainda “preocupado”
com o facto de também a SATA Air Açores ter piorado os seus resultados
ao reportar um prejuízo de 11,6 ME em 2024 face aos 10 ME registados em
2023. “Ninguém ganha com um grupo como a SATA frágil. Os prejuízos
agravados em 2024 refletem desafios estruturais significativos”,
considerou o empresário.Quanto aos resultados operacionais, Gualter
Couto considerou que a melhoria verificada se deve sobretudo à
“conjuntura atual” e à “dinâmica do setor do turismo”, bem como à “fraca
concorrência na época baixa”.“Esperavam-se resultados operacionais
bem mais elevados, não fossem os custos com os ACMI terem também
disparado, entre outros”, ressalvou.Para o representante dos
empresários de São Miguel e Santa Maria, “a eficácia do Plano de
Sustentabilidade Financeira será crucial para a recuperação financeira
do grupo nos próximos anos”.Recorde-se que o Plano de
Sustentabilidade Financeira foi apresentado pelo presidente da SATA, Rui
Coutinho, em janeiro deste ano, como um pacote com cerca de 40 medidas
para reduzir custos e aumentar receitas, com o objetivo de obter já em
2025 um ganho estimado em 65 ME.Na ocasião, o presidente da SATA
disse ainda que o resultado líquido de 2024 não deveria ficar muito
distante dos 43,6 ME de prejuízo acumulado até ao terceiro trimestre do
ano passado, mas a verdade é que o grupo terminou 2024 com quase o dobro
do prejuízo previsto (82,8 ME).Apesar disso, na divulgação das
contas do Grupo SATA na passada semana, Rui Coutinho frisou que está
“convicto que o ano de 2024 foi, por várias razões, um ano de inflexão e
que o ano de 2025 será certamente um virar de página. A melhoria dos
resultados obtidos nos primeiros meses de 2025 indicam que estamos no
bom caminho”, sustentou em comunicado emitido no passado dia 6 de junho.