Contaminação dos solos persiste na Base das Lajes, confirma relatório do LNEC
Hoje 09:18
— Nuno Martins Neves
A mais recente campanha de monitorização levada a cabo pelo Laboratório
Nacional de Engenharia Civil revelou que continuam a ser removidos solos
contaminados da Base das Lajes, de acordo com a resposta do Governo
Regional dos Açores ao requerimento apresentado pela representação
parlamentar do Bloco de Esquerda Açores, intitulado“Contaminação
ambiental persistente na Base das Lajes, responsabilização dos Estados
Unidos da América ao abrigo do acordo de cooperação e defesa, e nova
evidência de exposição humana a metais pesados”.No documento, o
executivo regional detalha o relatório do LNEC, datado de 2025 e que foi
apresentado na Comissão Técnica e Comissão Bilateral Permanente, a 20
de março corrente. Nele, o LNEC informa que, no Main Gate, foram
drenados e inertizados 1100 metros de pipelines inativos, com 600 metros
de pipelines selados e 500 metros removidos. Foram ainda removidos
cerca de 70 metros cúbicos de solos contaminados ao redor dos pipelines e
extraídos cerca de 277 litros de hidrocarbonetos sobrenadantes em cinco
piezómetro [n.d.r. um instrumento utilizado na engenharia geotécnica e
geologia para medir a pressão da água em solos e rochas, bem como o
nível dos lençóis freáticos].Foram inspecionados 61 piezómetros, dos
quais 11 foram fechados por má construção “podendo constituir fonte de
passagem de contaminantes”; 26 foram reparados; e foram construídos três
novos no aquífero basal.No South Tank Farm, em 2025 não foram
efetuadas intervenções, com o relatório a assinalar, porém, a remoção de
dois grandes tanques de armazenamento e dos solos envolventes, em 2023.
O LNECrecomendou a continuidade das operações de remoção de
hidrocarbonetos líquidos acumulados no subsolo e a manutenção da
monitorização ambiental, apesar de “os resultados obtidos na área
intervencionada apresentarem valores inferiores aos níveis de referência
para contaminação”. No Cinder Pit, das três zonas que compõem o
local, foi na Zona 2 que as análises confirmaram, em 2024, a
persistência de contaminação de solos por contaminantes orgânicos “acima
dos valores de referência”. O que leva o LNEC a recomendar a
“necessidade de promover ações destinadas à sua reabilitação”.A
resposta ao requerimento também confirma que, entre 2020 e 2021, o
Governo dos Estados Unidos da América não reconheceu o “impacto
substancial para a segurança e saúde humana” da contaminação dos solos,
razão pela qual não entendeu não se justificar qualquer intervenção.Uma
posição que o Governo Regional dos Açores diz ter sido contra desde o
primeiro momento, defendendo a necessidade de se manter as ações de
monitorização, mitigação e reabilitação ambiental, postura defendida “de
forma clara e persistente” quer na Comissão Técnica, quer na Comissão
Bilateral Permanente, quer também junto do Governo da República.Os
Estados Unidos reverteram a sua posição no final de 2022, atribuindo a
resposta à atuação “perseverante” do Vice-presidente do governo
açoriano.Os trabalhos de descontaminação e reabilitação ambiental
foram retomadas, apesar do Governo Regional entender que não
correspondem “plenamente às expectativas” do executivo. Ainda assim,
foram efetuados avanços, ao serem reclassificados locais anteriormente
identificados como contaminados.Sobre se o Governo Regional vai ter
em linha de conta a tese de doutoramento e o artigo científico que
detetaram metaispesados em concentraçõessuperiores em esqueletos de
residentes da Praia da Vitória, o mesmo diz que acompanha a evolução da
matéria científica nesta matéria, mas que as decisões e articulações
entre os dois países deve continuar assente em “informação técnica e
científica sólida, transparente e devidamente validada”.Questionado
sobre se importa pedir aos Estados Unidos uma nova avaliação atualizada e
independente, à luz da nova evidência científica, o Governo Regional
não responde diretamente, afirmando apenas que “sempre que essa
evidência justifique, o Governo Regional dos Açores continuará a
defender a realização dos estudos e das avaliações científicas que se
revelem necessários”.