Contaminação dos solos na ilha Terceira “piorou consideravelmente”
22 de jun. de 2021, 18:30
— Lusa/AO Online
Questionado
sobre se o ministro dos Negócios Estrangeiros já respondeu às suas
questões sobre o dossiê de contaminação dos solos e aquíferos no
concelho da Praia da Vitória, onde está localizada a Base das Lajes,
Artur Lima afirmou presumir que Augusto Santos Silva “anda muito ocupado
com a presidência portuguesa da União Europeia”, mas está otimista que
“terá um pouquinho mais de tempo, em final de junho, para responder às
perguntas" que enviou.Artur
Lima, falava aos jornalistas, em Ponta Delgada, à margem da assinatura
de um protocolo com a Associação de Municípios da Região Autónoma dos
Açores (AMRAA). O
vice-presidente do Governo Regional referiu que “há já reunião da
Comissão Técnica no dia 30, na Base das Lajes, que vai preparar a
Comissão Bilateral Permanente, a reunir em Washington, no final de
julho”, ao abrigo do acordo de cooperação que vigora entre ambos os
países.“Estou
muito preocupado com o evoluir da situação e vão ter que haver passos
decisivos para o início da resolução do problema, porque, até agora,
muito pouco ou nada foi feito", afirmou Artur Lima.De acordo com o responsável político, trata-se de uma situação ambiental "muito grave”.“Este
Governo não deixará de exigir quer do Governo da República, quer do
Governo norte-americano uma atuação determinada”, vincou. A
contaminação de solos e aquíferos na Praia da Vitória, provocada pela
Força Aérea norte-americana na Base das Lajes, foi identificada em 2005
pelos próprios norte-americanos e confirmada, em 2009, pelo Laboratório
Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que monitoriza desde 2012 o
processo de descontaminação.O
número dois do executivo açoriano disse que o Governo dos Açores está
“disponível para uma cooperação exigente para proteger a saúde dos
cidadãos”, da qual “não se prescinde”, sendo que a informação que
possui, "com base no último relatório, é que a situação piorou
consideravelmente”. Para
a Artur Lima, “não interessa quem paga” o processo de descontaminação,
se o Governo da República se o norte-americano, ressalvando que “as
relações diplomáticas são da responsabilidade do Governo da República.O
governante alertou que este problema “pode ter consequências de saúde
pública não só na Terceira mas nos Açores”, tendo reivindicado “avanços
palpáveis e significativos” neste dossiê.Artur
Lima foi, segunda-feira, nomeado, por despacho, o representante da
Região Autónoma dos Açores na Comissão Bilateral Permanente do Acordo de
Cooperação e Defesa entre a República Portuguesa e os Estados Unidos da
América.