Contabilizado tempo de serviço dos profissionais de saúde com contrato individual nos Açores
29 de set. de 2020, 20:27
— Lusa/AO online
“O Governo
dos Açores, de acordo com um critério de igualdade, uniforme e
transversal a todas as carreiras, reconhece a todos os trabalhadores dos
três hospitais da região com contrato individual de trabalho por tempo
indeterminado a relevância de todo o tempo de serviço prestado entre
2007 e 2018 para efeitos de valorização remuneratória”, anunciou hoje a
secretária regional da Saúde, Teresa Machado Luciano, numa conferência
de imprensa em Angra do Heroísmo.Desde que
os três hospitais dos Açores, em Angra do Heroísmo, Horta e Ponta
Delgada, passaram a entidades públicas empresariais (EPE) os
funcionários passaram a ser admitidos com contratos individuais de
trabalho e só em 2019 foram assinados contratos coletivos.Várias
classes profissionais tinham já reivindicado a contabilização do tempo
de serviço destes profissionais, alegando que se tratava de uma questão
de igualdade de direitos, em comparação com os funcionários que entraram
para os hospitais antes de 2007 e tinham vínculo público.Segundo
a secretária regional da Saúde, a medida vai abranger 1.417
trabalhadores dos três hospitais da região e representará um reforço do
Serviço Regional de Saúde de “cerca de 2,5 milhões de euros anuais”.“De
imediato serão dadas orientações aos três hospitais da região para
desencadearem o processo de alteração dos respetivos acordos coletivos
de trabalho, uma vez que este é o procedimento legalmente fixado para
que esta solução possa produzir efeitos em benefício desses
trabalhadores”, salientou.A solução
aplica-se a assistentes operacionais, assistentes técnicos, enfermeiros,
técnicos superiores de saúde e técnicos superiores de diagnóstico e
terapêutica.A valorização salarial deverá
ocorrer ainda em 2020, após a assinatura de novos contratos coletivos de
trabalho, sendo contabilizado um ponto por cada ano de serviço e
havendo um “impulso remuneratório” a quem reunir 10 pontos.Segundo Teresa Machado Luciano, a solução encontrada cumpre critérios de igualdade, razoabilidade e equilíbrio.“Dá-se
resposta aos trabalhadores dos três hospitais da região, que, tendo aí
prestado serviço entre os anos de 2007 e 2018, no âmbito de um contrato
individual de trabalho, tinham tratamento diferenciado, desde logo no
âmbito da contagem do tempo de serviço, face aos trabalhadores que
desenvolveram o seu trabalho no âmbito da função pública”, frisou.A
governante realçou que o processo de valorização das carreiras da área
da saúde foi dado hoje como “concluído”, depois de um “processo negocial
intenso”, com diversas estruturas representativas dos trabalhadores.“O
trabalho do Governo Regional dos Açores teve e tem a influência não
apenas das circunstâncias relativas às matérias que em concreto estão
colocadas, mas também o contexto que temos atualmente marcado pela
pandemia de covid-19 e pelo esforço e empenho que a mesma tem exigido
dos profissionais do Serviço Regional de Saúde”, sublinhou.Questionada
sobre o motivo que levou a tutela a apresentar esta solução neste
momento, depois de várias classes profissionais terem realizado
recentemente greves e protestos reivindicando precisamente a
contabilização do tempo de serviço, Teresa Machado Luciano disse apenas
que este é um esforço do Governo Regional “de valorização, de igualdade e
de equilíbrio entre os vários profissionais dos três hospitais da
região para todas as classes profissionais”.As próximas eleições para o parlamento açoriano decorrem em 25 de outubro.O PS governa a região há 24 anos, tendo sido antecedido pelo PSD, que liderou o executivo regional entre 1976 e 1996.