Contabilistas pedem a Centeno que prolongue entrega de obrigações fiscais
18 de out. de 2017, 15:03
— Lusa/AO online
Na passada
segunda-feira, e depois das de incêndios que deflagraram no domingo na
região centro e norte, a ANACO apelou ao ministro das Finanças, Mário
Centeno, para que "tomasse medidas adequadas de natureza fiscal, de
atenção e apoio às empresas, empresários, profissionais liberais e
contabilistas dos concelhos afetados pelos terríveis incêndios"."Parece-nos
necessário que sejam tomadas medidas na área fiscal que evitem que à
calamidade dos fogos se junte a impiedade fiscal", defendem os
contabilistas, num comunicado hoje divulgado, no qual exigem sobretudo o
adiamento, por alguns dias, do prazo de algumas obrigações fiscais
referentes a outubro.Assim, entre as medidas, está a proposta que
todas as obrigações e pagamentos fiscais referentes ao mês de outubro,
das empresas, empresários e profissionais liberais possam ser cumpridas
até dia 31 de outubro "sem qualquer penalização", com destaque para as
obrigações de dia 20 de outubro. Esta é uma medida similar à que foi feita pelo Governo aquando dos incêndios de Pedrógão Grande.Outra
das medidas pedida é o alargamento do prazo do segundo Pagamento
Especial por Conta (PEC), que termina no dia 31 de outubro. A ANACO quer
que "seja permitido às empresas dos concelhos afetados que o paguem até
ao dia 15 de novembro". Caso as empresas afetadas não tenham
condições para fazer este pagamento, a associação defende que "seja
aceite este motivo como justificativo para o não pagamento" do segundo
PEC.Por fim, os contabilistas sugerem que "seja feita uma análise
aos IVA mensais e trimestrais, de setembro, de outubro e do segundo
trimestre, de modo a que seja permitido às empresas, empresários e
profissionais liberais afetados por esta calamidade que, na incapacidade
de cumprimento da entrega e do pagamento destas declarações de IVA,
sejam tidos em conta, pelos serviços da Autoridade Tributária, estas
situações, de modo a não gerar coimas duras e impiedosas”.As
centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do
ano segundo as autoridades, provocaram pelo menos 41 mortos e cerca de
70 feridos (mais de uma dezena dos quais graves), além de terem obrigado
a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito
em dezenas de estradas. O Governo decretou três dias de luto nacional, que terminam na quinta-feira.Esta
é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano,
depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros
municípios e provocou 64 mortos e mais de 250 feridos.