Conta da Madeira de 2023 com saldo positivo de 42,3 ME aprovada por maioria no parlamento
3 de jul. de 2025, 12:17
— Lusa/AO Online
“Foi
naquele ano que a Madeira registou alguns dos melhores desempenhos
económicos de sempre, com valores recorde em grande parte dos principais
indicadores macroeconómicos”, disse o secretário regional das Finanças,
Duarte Nuno Freitas, no plenário da Assembleia Legislativa, no Funchal.O
governante indicou que, apesar de a Conta de 2023 ter ficado marcada
ainda pelo processo de recuperação da pandemia de covid-19, bem como
pelos impactos da guerra na Ucrânia e por problemas na cadeia logística
internacional, sinalizou uma receita efetiva de 1.666,2 milhões de euros
e uma despesa global de 1.623,9 milhões de euros.“Importa
sublinhar que este aumento da receita ocorre num contexto de continuada
redução fiscal, com sucessivas diminuições das taxas de impostos sobre
as nossas famílias e as nossas empresas, implementadas pelo Governo
Regional desde 2016”, sublinhou Duarte Nuno Freitas. A
Conta da Região Autónoma da Madeira de 2023 foi aprovada com os votos a
favor da maioria PSD/CDS-PP (partidos que suportam o Governo Regional) e
da IL, contando com a abstenção do Chega e votos contra do JPP e do PS.Durante
o debate, os dois maiores partidos da oposição – JPP, com 11 deputados,
e PS, com oito representantes – criticaram o executivo por se ter
recusado sempre a acolher as suas propostas de redução fiscal, apesar de
a receita ter superado a despesa naquele ano. O
deputado do JPP Paulo Alves afirmou que o aumento da receita continua
sem ter impacto na melhoria do custo de vida dos madeirenses,
considerando que a taxa de risco de pobreza na região permanece uma das
mais altas do país. Pelo PS, Vitor Freitas
lembrou que o partido apresentou propostas que teriam um impacto
orçamental de 87 milhões de euros, mas foram recusadas pela maioria
PSD/CDS-PP, apesar de o executivo ter arrecadado 191 milhões de euros de
impostos acima do previsto. Também pelo
PS, Gonçalo Leite Velho destacou vários investimentos que ficaram por
executar em diversos setores em 2023, ao passo que o deputado Miguel
Castro, do Chega, alertou para o aumento das dívidas e dos prejuízos das
empresa públicas naquele ano, nomeadamente o Serviço de Saúde da
Madeira (Sesaram), que disse ter acumulado uma “dívida astronómica”.Na
resposta, o secretário regional explicou que “há sempre um desvio entre
o que se orçamenta e a sua execução”, argumentando que os problemas
verificados na cadeira logística internacional, a escassez de
mão-de-obra e a subida das taxas de juros, entre outros aspetos,
induziram um cenário inflacionista que dificultou a execução dos
investimentos.“A realidade surpreende-nos, mas temos de ter competência para nos adaptarmos às situações”, disse. Já
o deputado único da IL, Gonçalo Maia Camelo, destacou os indicadores
positivos expressos na Conta da Região de 2023, mas quis saber qual foi o
valor arrecadado pelo executivo através da recuperação dos auxílios
ilegais concedidos às empresas da Zona Franca da Madeira no âmbito do
III Regime, conforme determinou a Comissão Europeia. O
governante esclareceu que, em 2023, o Imposto sobre o Rendimento
Coletivo (IRC) registou um “desempenho muito favorável”, com 111 milhões
de euros, dos quais cerca de 36 milhões de euros referentes à
recuperação daqueles auxílios. As bancadas
da maioria PSD/CDS-PP destacaram, por seu lado, o bom desempenho das
finanças públicas da região, com o social-democrata Brício Araújo a
sublinhar que “os bons números não podem ser desconsiderados” e mostram
“o rigor, a prudência e a firmeza” da governação, ao passo que a
deputada única centrista Sara Madalena criticou a “divagação” dos
partidos da oposição, lembrando que a matemática é uma ciência exata.Na
apresentação do documento, Duarte Freitas sublinhou que a Conta de 2023
mereceu parecer globalmente favorável do Tribunal de Contas, apenas com
nove recomendações, vincando que o conjunto das receitas e despesas
efetivas apuradas nesse ano registou um saldo global efetivo de 42,3
milhões de euros e a dívida pública recuou 29 milhões de euros.“Os
dados atualizados demonstram que, no final de 2023, o rácio da dívida
pública da região em relação ao PIB [Produto Interno Bruto] se situava
em 71,6% – menos 8,7 pontos percentuais em relação a 2022 –,
evidenciando uma posição financeira mais sólida face aos 97,7%
registados a nível nacional”, esclareceu.Duarte Nuno Freitas destacou que o PIB regional se aproximou dos sete mil milhões
de euros em 2023, mais 4,5% face ao ano anterior, sendo que a taxa de
desemprego desceu para 6,0%, menos 0,8 pontos percentuais do que em
2022, e a população empregada atingiu o valor mais elevado de sempre:
129,5 mil pessoas.De acordo com o
governante, após três anos consecutivos de saldos negativos, a região
obteve capacidade de financiamento de 25,3 milhões de euros, situação
que classificou como “um progresso notável face ao défice de 145 milhões
registado em 2022”.