Consumos dos jovens dos Açores com tendência de descida e abaixo da média nacional
16 de abr. de 2025, 09:06
— Nuno Martins Neves/Lusa
A tendência de consumos de álcool, tabaco e drogas por parte dos jovens
dos Açores, com idades entre os 13 e os 18 anos, acompanha a “clara
tendência” decrescente que se verifica a nível nacional, encontrando-se,
inclusive, abaixo da média nacional, segundo os dados provisórios do
Estudo sobre os Comportamentos de Consumo de Álcool, Tabaco, Drogas e
outros Comportamentos Aditivos e Dependências 2024 (ECATD–CAD), que foi
apresentado pelo Instituto para os Comportamentos Aditivos e as
Dependências (ICAD).Analisando a amostra de 385 alunos, de 37 turmas
e 12 escolas (aproximadamente metade da amostra que participou no
último estudo, em 2019), os dados provisórios apontam tendências de
consumos, nos últimos 12 meses de álcool (44,7%), tabaco (14,4%) e
drogas ilícitas (5,9%) abaixo das médias nacionais (48,3%,17,1% e 6,2%,
respetivamente). Relativamente aos dados finais do estudo anterior, os
Açores revelam uma descida: 59,4% no álcool, 28,1% no tabaco e 15,2% nas
drogas ilícitas.Já no jogo eletrónico (consumo nos últimos 30
dias), a Região supera a média nacional, com 82,5% contra 79,1%,
enquanto no jogo a dinheiro (últimos 12 meses) se situa abaixo: 17%
contra 18,2%.Segundo informações do ICAD, os dados finais sobre os Açores serão conhecidos nos próximos dias.Álcool, tabaco e sedativos mais usados por raparigas e drogas ilícitas por rapazesAs
raparigas bebem, fumam e tomam mais sedativos e analgésicos do que os
rapazes, que lideram no uso de substâncias ilícitas, revela a visão
global do ECATD–CAD, estudo que aponta “uma clara tendência” de descida
no consumo do álcool, tabaco e droga.O estudo do ICAD contou com uma
amostra de 11 083 alunos, entre os 13 e os 18 anos, de 1992 escolas do
ensino público de todo o país, e resulta da aplicação do questionário
ESPAD (European school survey project on alcohol and other Drugs).Os
resultados permitem constatar que “o cenário é hoje globalmente menos
gravoso, sendo que os comportamentos de maior risco estão confinados a
uma minoria, sendo mais esporádicos do que frequentes”, destaca o estudo
do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD).Contudo,
há fenómenos que, face ao estudo anterior, realizado em 2019, se
tornaram mais prevalentes, como o consumo de analgésicos fortes com o
intuito de ficar “alterado”, o jogo eletrónico e o jogo a dinheiro.O
álcool é a principal substância psicoativa consumida entre os jovens,
seguindo-se o tabaco e, com uma expressão ainda menor, as substâncias
ilícitas e determinados medicamentos psicoativos.A maioria dos
inquiridos (58%) ingeriu pelo menos uma bebida alcoólica ao longo da
vida, sendo que 48% bebeu nos 12 meses anteriores ao inquérito ‘online’.Entre as bebidas mais consumidas no último mês, destacam-se os ‘alcopops’ (24%), a cerveja (22%) e as bebidas destiladas (22%).Já
29% embriagaram-se ligeiramente ao longo da vida, enquanto 22%
fizeram-no no último ano e 11% último mês. A prevalência de embriaguez
severa é consideravelmente menor: 19%, 15% e 6%, respetivamente. Por outro lado, 17% ingeriram bebidas alcoólicas de uma forma ‘binge’ (cinco ou mais doses numa mesma ocasião) no último mês. Um quarto dos jovens já fumou alguma vez na vida, 17% no último ano e 10% no último mês.“Embora
sejam muito poucos os inquiridos que consomem tabaco diariamente”, 22%
adota este padrão de consumo no caso dos cigarros tradicionais e 12% nos
cigarros eletrónicos.O estudo revela que 7% dos alunos já
consumiram alguma vez uma droga ilícita, sendo que 6% o fez no último
ano e 3% no mês anterior ao inquérito.A canábis é a substância
ilícita mais consumida, mas a percentagem que a usa numa base diária ou
quase diária é inferior a 1%. Quando se considera apenas o grupo dos
consumidores atuais, a percentagem sobe para 10%.Quanto aos
medicamentos, o estudo aponta que 8% já tomou alguma vez na vida, por
indicação médica, sedativos e 3% ‘nootrópicos’, enquanto 5% e 2%,
respetivamente, os tomaram sem prescrição médica. Há 3% que diz que
tomou analgésicos muito fortes pata ficar alterado.O inquérito
conclui que, “nas várias temporalidades, o consumo de álcool, tabaco,
tranquilizantes/sedativos e analgésicos fortes são práticas mais
femininas do que masculinas, ao contrário das drogas ilícitas”.“Se
na anterior edição se falava de um claro esbatimento das diferenças de
género e numa tendência de aproximação do consumo de álcool entre os
dois sexos, em 2024 verifica-se que esta é já uma prática mais feminina
do que masculina e mesmo no que concerne aos comportamentos de risco
acrescido é possível constatar uma aproximação ou mesmo uma maior
prevalência entre as raparigas”, salienta.Relativamente ao tabaco, a
tendência de descida é cada vez mais acentuada e deve-se a “um
decréscimo muito expressivo” do consumo de cigarros tradicionais,
particularmente entre os rapazes.O consumo de drogas ilícitas também
se tornou menos prevalente face a 2019, sendo a descida
proporcionalmente bastante acentuada de canábis ou de outras substâncias
proibidas.“Face ao estudo anterior, são hoje menos os alunos que
iniciam os consumos em idades precoces (13 anos ou menos), tendo a
iniciação precoce ao álcool e ao tabaco de combustão descido de uma
forma muito acentuada. Por sua vez, considerando o grupo dos
consumidores recentes, o início do consumo de cigarros eletrónicos e de
canábis faz-se hoje mais cedo do que em 2019”, refere o estudo.Também
há menos alunos a considerar fácil o acesso às diversas substâncias
psicoativas, sendo que a descida é mais acentuada no que se refere a
cigarros tradicionais e a ‘alcopops’ (bebida alcoólica mista com teor
alcoólico relativamente baixo).