Consumo de tabaco entre os jovens continua a diminuir em Portugal, álcool aumenta
12 de nov. de 2020, 11:56
— Lusa/AO Online
As
conclusões constam do “European School Survey Project on Alcohol and
other Drugs (ESPAD)”, que permite acompanhar as tendências europeias no
que diz respeito à evolução dos comportamentos aditivos entre jovens de
16 anos. Comparando os últimos dados de
2019 com o estudo de 2015, o relatório divulgado hoje aponta um
decréscimo de três pontos percentuais no consumo de tabaco tradicional,
em linha com a tendência europeia.“Em
relação ao consumo de tabaco tradicional, entre 2015 e 2019,
verificou-se em Portugal um decréscimo (-3 pontos percentuais) menos
acentuado do que na média dos países participantes (-5 pontos
percentuais)”, lê-se no relatório, que sublinha também um desagravamento
do uso diário do tabaco.Também
decrescente foi o consumo do tabaco eletrónico, que caiu em Portugal
cinco pontos percentuais ao longo do mesmo período, mais do que na média
europeia (que registou menos dois pontos percentuais), sendo que
Portugal é, aliás, o segundo país com menos consumidores deste tipo de
cigarros.Relativamente à média europeia,
os resultados mostram descidas no consumo não só do tabaco, mas também
das drogas ilícitas e do álcool, mas, em sentido contrário, Portugal
registou um ligeiro aumento no consumo de álcool, invertendo o caminho
descendente que vinha a percorrer desde 2007.Entre
2015 e 2019, a percentagem de alunos de 16 anos que ingeriram pelo
menos uma bebida alcoólica ao longo da vida aumentou de 71% para 77% e a
prevalência de consumo ‘binge’ (uma grande quantidade na mesma ocasião)
também aumentou.Apesar do aumento, o país
mantém-se abaixo da média europeia relativamente à prevalência de
consumo de álcool nos últimos 30 dias, à prevalência de embriaguez
também nos últimos 30 dias e ao ‘binge drinking’, destacando-se, por
outro lado, na escolha das bebidas.A
seguir a Espanha, Portugal é o segundo país em que os jovens mais
optaram, da última vez que beberam, por bebidas destiladas em vez de
cerveja, vinho, cidra ou ‘alcopops’, sendo que a quantidade de álcool
ingerido na última ocasião de consumo é a décima mais elevada entre os
35 países.O país destaca-se também, pela
negativa, pelo consumo de álcool precoce, uma vez que “a percentagem de
jovens portugueses de 16 anos que iniciaram o seu consumo aos 13 anos ou
menos é consideravelmente superior à média europeia”. Por outro lado,
são menos os que se embriagaram tão cedo. A
perceção da facilidade de acesso ao álcool está abaixo da média
europeia, sendo que em relação ao tabaco os jovens portugueses estão
entre aqueles que menos consideram ser fácil ou muito fácil comprar.Relativamente
a outros comportamentos aditivos, mais de metade dos jovens
portugueses, que são dos que passam mais tempo em redes sociais ao fim
de semana, admitiram ter tido problemas decorrentes da utilização da
Internet em redes sociais e 24% em jogos ‘online’.Já
o jogo a dinheiro, em que participaram no último ano cerca de 22% dos
jovens, à semelhança da média europeia, acontece sobretudo fora das
redes, uma vez que o jogo ‘online’ foi declarado nos últimos 12 meses
por 6% dos jovens portugueses, que preferem as lotarias e apostas
desportivas.