Consumo de notícias nas redes sociais é tendência crescente e transgeracional
3 de set. de 2025, 16:08
— Lusa/AO Online
De acordo com a mais recente
edição do estudo “Meaningful Media” - realizado pela Havas Media Network
para analisar a forma como os portugueses se relacionam com os meios de
comunicação e a publicidade –, os canais de televisão aberta continuam a
ser os meios mais credíveis em todas as idades, seguidos dos jornais.Contudo,
desde 2023 tem vindo a registar-se uma mudança entre os mais jovens
(dos 15 aos 34 anos), com os motores de busca a ganharem terreno em
detrimento da rádio e com as redes sociais a entrarem para o ‘top 5’ de
credibilidade.Segundo o estudo, “o consumo
crescente de conteúdos noticiosos através das redes sociais pode ser um
fator determinante para este aumento de credibilidade", com "os vídeos
virais a tornarem-se, cada vez mais, o ‘prime time’ dos jovens, não só
como fonte de entretenimento, mas também de informação”. Paralelamente,
a tendência de “fuga a notícias” (‘news avoidance’) está a aumentar,
“refletindo cansaço face à negatividade e ao contexto de ‘permacrise’
[crise permanente]”.“Se associarmos este
movimento à crescente substituição do jornalismo profissional por
criadores de conteúdos digitais, ou ‘jornalistas-influencers’,
impulsionada por algoritmos, enfrentamos riscos acrescidos de escassez
de confiança, potenciados pela desinformação e polarização de opiniões”,
alerta.O trabalho nota que esta tendência
de fuga à negatividade surge também entre as marcas, com a publicidade
associada a conteúdos jornalísticos a cair 33% entre 2019 e 2024 a nível
global e 27% em Portugal, “embora haja estudos que demonstrem que a
presença de publicidade em contextos de elevada credibilidade tem
eficácia superior”.Outra das conclusões do
estudo é que a faixa etária dos 15/34 anos é a que mais consome redes
sociais, mas também a que menos as usa para consumir notícias (31,7%,
contra 49,9% da faixa dos 55/64 anos).No
que diz respeito à forma como as diferentes gerações encaram a
publicidade, verifica-se que os mais jovens revelam "menor tolerância
face à publicidade”: 54% dos utilizadores dos 15 a 34 anos utilizam
‘adblockers’ (bloqueadores de anúncios), face a apenas 21% da geração X
(nascidos entre 1965 e 1980).Nesta quarta
edição do estudo “Meaningful Media” foram realizadas 600 entrevistas a
pessoas residentes em Portugal Continental, com idades compreendidas
entre os 15 e os 64 anos, durante o mês de novembro de 2024.