Consumo de gás natural deverá duplicar até 2015

27 de nov. de 2007, 17:30 — Lusa / AO online

O consumo de gás natural em Portugal deverá registar um crescimento muito acima do da Europa, com um crescimento de 8 por cento ao ano até 2010 e de 7 por cento ao ano até 2015, face a uma média europeia anual de 1,6 por cento. O mercado de gás em Portugal deve crescer de 4,4 mil milhões de metros cúbicos (m3) em 2006 para 8,5 mil milhões de m3 até 2015, refere a consultora. A capacidade instalada de centrais de ciclo combinado a gás natural deve evoluir de 2.200 megawatts (MW) em 2006 para 6.590 MW em 2015, residindo aqui o grande impulso de crescimento do mercado de gás em Portugal, refere a consultora. Na Europa, a A.T. Kearney estima que o consumo do gás aumente 26 por cento até 2020, sofrendo, simultaneamente, uma quebra de 43 por cento na produção própria. Nesse sentido, a consultora prevê que a Europa tenha de investir 25 mil milhões de euros em infra-estruturas para garantir o fornecimento de gás a longo prazo. Desses 25 mil milhões de euros, 15 mil milhões serão destinados a projectos de gasodutos, nomeadamente, em projectos de ligação da Rússia ao Mar Báltico. Prevê-se que a Gazprom seja o maior investidor nesta frente com um plano de cerca de dois mil milhões de euros. A consultora prevê ainda que o volume de gás importado na Europa, através de gasodutos, cresça cerca de 50 por cento até 2020, e que as importações de gás natural liquefeito aumentem para mais do triplo. Quanto ao gás natural liquefeito, a consultora prevê que a procura triplique até 2020. Nesta área, serão a British Gás e a Qatar Petroleum os maiores investidores em terminais de regaseificação com 1.600 e 1.000 milhões de euros, respectivamente. O gás natural é a segunda fonte energética mais importante da União Europeia depois do petróleo, cobrindo um quarto do total das necessidades energéticas. A consultora prevê que a dependência europeia dos países exportadores de gás como a Rússia e a Argélia continue a aumentar. No entanto, com o aumento da procura por parte da China e da Índia é de esperar escassez de fornecimento, sendo crucial que as empresas europeias assegurem o acesso a novos gasodutos e a gás natural liquefeito.