Consumo de antibióticos em Portugal aumenta o dobro da média europeia entre 2019-2023
18 de nov. de 2024, 16:02
— Lusa/AO Online
Para assinalar a
data, o Infarmed realiza um “webinar” onde serão apresentados dados de
consumo de antibióticos em Portugal e nos países europeus, no âmbito da
rede de vigilância ESAC-Net (European Surveillance of Antimicrobial
Consumption Network), do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de
Doenças (ECDC), adianta o organismo num comunicado.Reduzir
em 20 % o consumo total de antibióticos nos seres humanos até 2030,
tendo 2019 como referência, é a meta estabelecida no documento “Uma Só
Saúde”, aprovado em junho do ano passado pelos 27 no âmbito do combate à
resistência aos antimicrobianos.Outra das
metas é que pelo menos 65% do consumo total de antibióticos nos seres
humanos pertence ao grupo Access, os de menor impacto em termos de
potencial desenvolvimento de resistências. “Em
2023, o consumo de antibióticos da categoria Access em Portugal foi de
63%, tendo havido uma melhoria face ao ano de referência em cerca de um
ponto percentual”, segundo o comunicado. A
classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de antimicrobianos,
Access, Watch and Reserve (AWaRe), define grupos de antibióticos em
função do seu maior ou menor impacto em termos de potencial
desenvolvimento de resistências.A
Autoridade Nacional do Medicamento refere ainda que nas farmácias
comunitárias a dispensa dos antibióticos aumentou entre 2022 e 2023,
passando de uma média de 17,1 doses diárias definidas por mil habitantes
por dia (DHD) para 18 DHD, e que os seus dados preliminares de 20,5 DHD
no primeiro semestre de 2024 indicam que a tendência de subida
continua.Quanto ao consumo hospitalar de
antibióticos em Portugal, tanto em 2022 como em 2023 este correspondeu a
um valor de 1,7 DHD, revelando os dados preliminares relativos ao
primeiro semestre de 2024 uma tendência de ligeira subida (1,8 DHD).“Estes
dados reforçam a necessidade de uma intervenção consertada de todos os
intervenientes com o objetivo de garantir o uso adequado dos
antibióticos, tendo em conta que o arsenal terapêutico pouco tem sido
reforçado nos últimos anos e que os atuais medicamentos estão em risco
de perder a sua eficácia face ao crescimento das resistências
bacterianas”.A OMS declarou em 2019 a
resistência aos antimicrobianos como uma das 10 maiores ameaças à saúde
pública a nível mundial que a humanidade enfrenta. Em
maio, a propósito da atualização da lista de bactérias que ameaçam
saúde humana por resistência a antibióticos, a agência de saúde das
Nações Unidas assinalou que o problema causa cerca de 1,27 milhões de
mortes diretas anualmente e contribui para mais 4,19 milhões de outras
mortes.