Consulta pública do Programa Mais Habitação com "mais de 2.700 contributos"
Habitação
28 de mar. de 2023, 12:15
— Lusa/AO Online
Segundo
uma nota do Ministério da Habitação, as medidas que receberam mais
propostas foram o incentivo à transferência para habitação das casas em
alojamento local (29%), o arrendamento obrigatório de casas devolutas
(12%), a garantia de renda justa em novos contratos (8%), o fim dos
vistos ‘gold’ (6%), o licenciamento com termo de responsabilidade dos
projetistas (6%), a disponibilidade dos imóveis do Estado em regime de
Contratos de Desenvolvimento de Habitação (6%) e a proteção dos
inquilinos com arrendamentos mais antigos (5%).De
acordo com a mesma nota, as propostas “estão a ser avaliadas pelo
Governo”, antes de o documento final ser aprovado em Conselho de
Ministros, agendado para quinta-feira. O
Ministério da Habitação considera que a consulta pública do Programa
Mais Habitação foi “bastante participada e interventiva” e que os
contributos foram feitos “de forma construtiva”, evidenciando que “a
sociedade reconhece a centralidade das políticas de habitação”.As
propostas recebidas reforçam – segundo o Ministério – “a necessidade de
medidas adicionais que garantam no imediato mais habitação e apoio às
famílias”.No dia 16 de fevereiro, o
Governo aprovou em Conselho de Ministros um pacote de medidas
relacionadas com o setor da habitação e no dia 20 colocou em consulta
pública apenas um ‘PDF’ explicativo.O
articulado detalhado das medidas foi disponibilizado apenas em 03 de
março, tendo depois o executivo decidido prolongar a consulta pública
por mais três dias, de 10 para 13 de março.O
Governo veio, posteriormente, anunciar o adiamento da aprovação de
parte dos diplomas, prolongando o seu período de consulta pública, a
pedido da Associação Nacional de Municípios Portugueses.Assim,
foi prolongada a consulta pública de três propostas de lei até 24 de
março, para serem aprovadas no Conselho de Ministros de dia 30, seguindo
depois para a Assembleia da República.Estes
diplomas dizem respeito ao regime de arrendamento para subarrendamento,
ao apoio à promoção de habitação a custos controlados para arrendamento
acessível, ao incentivo à transferência de fogos em alojamento local
para o arrendamento habitacional, à fixação do valor das rendas nos
novos contratos de arrendamento, à proteção dos inquilinos com contratos
de arrendamento anteriores a 1990, à criação de uma contribuição
extraordinária sobre o alojamento local, ao fim dos vistos ‘gold’
(autorizações de residência para atividade de investimento) e a várias
alterações fiscais e de impostos.As
propostas dizem ainda respeito à criação de um balcão que agregue os
Serviços de Injunção em Matéria de Arrendamento (SIMA) e o Balcão
Nacional do Arrendamento (BNA), de forma a simplificar procedimentos e a
harmonizar o funcionamento destes mecanismos, e à simplificação e
agilização dos licenciamentos das operações de loteamento e das
operações urbanísticas.Os restantes
diplomas – dois decretos-lei referentes aos apoios ao crédito à
habitação e às rendas - terminaram a sua consulta pública no dia 13,
tendo sido aprovados no Conselho de Ministros de dia 16.O
pacote de medidas proposto pelo Governo tem um custo estimado em 900
milhões de euros e propõe responder à crise da habitação com cinco
eixos: aumentar a oferta de imóveis utilizados para fins de habitação,
simplificar os processos de licenciamento, aumentar o número de casas no
mercado de arrendamento, combater a especulação e proteger as famílias.Entre
as medidas anunciadas estão, entre outras, apoios diretos às rendas, a
suspensão de novas licenças para alojamento local e a reavaliação das já
existentes, o arrendamento forçado de casas devolutas em condições de
serem habitadas e as obras coercivas em casas devolutas, o fim dos
vistos ‘gold’ e a simplificação dos licenciamentos.