Consulado português em Caracas processou mais de mil pedidos de nacionalidade na quarentena
Covid-19
28 de jul. de 2020, 11:43
— Felipe Gouveia/Lusa/AO Online
“Este ano processámos mil e tal [pedidos] de
nacionalidade, já no período da quarentena, que estavam com algum
atraso”, disse o cônsul-geral em Caracas, Licínio Bingre do Amaral.Em declarações à agência Lusa, o diplomata explicou que “o consulado nunca deixou de funcionar”.“Esteve,
numa primeira fase, a trabalhar em ‘backoffice’, essencialmente, a
finalizarmos processos que estavam a entrar, nomeadamente, processos de
nacionalidade que estavam a ser preparados, e isso permitiu que fossem
finalizados e que avançassem, que as pessoas já tivessem a nacionalidade
portuguesa”, precisou.Segundo Licínio
Bingre do Amaral, o consulado tem respondido a “questões de emergência”,
como “documentos de identificação, passaportes, procurações urgentes”
de pessoas que tinham, por exemplo, “dado sinal para comprar um terreno
ou uma casa e, se não fosse feita a procuração, perderiam esse sinal”.“Nós sempre estivemos a funcionar por emergência, mediante marcação. Basicamente é só mandar um ‘e-mail’, para cgcaracas@mne.pt,
dizer o que pretende e é feita a marcação”, declarou o diplomata,
reconhecendo que devido às atuais restrições de circulação tem sido
difícil para os utentes do interior do país chegar até ao consulado na
capital venezuelana.“Há muito controlo de
segurança, barreiras policiais. Nalguns casos nós emitimos uma
declaração, dizendo que vêm cá fazer um passaporte ou um cartão (de
cidadão) e as pessoas têm conseguido chegar, mas houve outros casos em
que, infelizmente, a polícia não os deixou passar”, referiu.Segundo Licínio Bingre do Amaral, o consulado continuará aberto, mas, por razões de segurança, “não como era até há uns meses”.“As
pessoas têm de manter um distanciamento social e, portanto, o número de
utentes é limitado, para que não esteja muita gente dentro do
consulado. Há um protocolo de segurança que se tem de cumprir, que passa
por tirar a temperatura, desinfetar (as mãos), os sapatos, mas está a
ser ponderada a hipótese de colocar uma cabine de desinfeção à entrada”,
adiantou.Questionado sobre eventuais
casos do novo coronavírus entre a comunidade portuguesa na Venezuela, o
cônsul-geral explicou que houve “informação de um proprietário de uma
padaria em Caracas, que ele e a família terão tido a covid-19”.“Estiveram
internados, mas, felizmente, não houve consequências maiores. Foi feito
o tratamento e foi feita uma recuperação”, destacou.O
cônsul-geral disse ainda estar em contacto permanente com os clubes
portugueses no país, alguns dos quais estão a aproveitar a quarentena
para “fazer uma renovação das instalações”.Na
Venezuela estão confirmados 15.463 casos de pessoas infetadas e 142
mortes associadas ao novo coronavírus. Estão também dados como
recuperados 9.746 pacientes.O país está
desde 13 de março em estado de alerta, o que permite ao executivo
decretar “decisões drásticas” para combater a pandemia.Os
voos nacionais e internacionais estão restringidos até 12 de agosto e a
população impedida de circular entre as diversas regiões do país.