Consórcio Victorair defende "atuação imediata" para solução para a SATA
Hoje 16:51
— Lusa/AO Online
Num comunicado
enviado à agência Lusa, o consórcio apontou falhas no processo de
privatização, mas reiterou a sua disponibilidade para contribuir para
“uma solução que salvaguarde o interesse público, a estabilidade da
companhia e o futuro da aviação nos Açores”.A
Victorair "acompanhou de forma próxima" o processo de privatização da
Azores Airlines e considerou que "a decisão de não apresentação de
proposta vinculativa resultou de uma avaliação técnica das condições do
processo, nomeadamente ao nível da transparência financeira, da
definição do perímetro de dívida e da ausência de condições de equidade
concorrencial, tendo essa posição sido formalmente comunicada à SATA
Holding e ao júri”, recorda o grupo.Foi
“manifestada igualmente a sua disponibilidade para participar numa
eventual negociação direta do ativo, caso o concurso viesse a terminar
sem adjudicação ou a ser anulado”, destaca, sublinhando que desde então
optou por não recorrer a mecanismos de impugnação judicial, alegando que
“poderia comprometer a estabilidade da companhia num momento
particularmente sensível”, mantendo “uma postura institucional,
construtiva e orientada pelo interesse público”.Para
o consórcio, a recente conclusão do procedimento concursal, sem
adjudicação, é “o encerramento de uma fase e o início de um novo ciclo,
agora centrado na capacidade de estruturar e executar”, defendendo “uma
solução alternativa em tempo útil”, num contexto em que “a complexidade
do processo se mantém, ou mesmo se intensifica”.“No
momento atual, a principal preocupação deixou de ser o enquadramento
jurídico do processo, passando a centrar-se na sua capacidade de
execução em tempo útil”, lê-se no comunicado.A
opção recentemente assumida por um modelo de negociação direta, que
visa “maior celeridade”, reforça, segundo o consórcio, “a exigência de
capacidade de execução técnica e operacional, num contexto em que a
complexidade do processo se mantém, ou mesmo se intensifica”.Entre
os principais desafios identificados pela Victorair estão a alienação
da atividade de assistência em escala (handling), a preparação de
informação “fiável para investidores”, a definição clara do perímetro da
dívida e dos ativos a alienar, bem como a reorganização societária
efetiva do grupo.A par disso, destaca-se
ainda a necessidade de preparar a SATA Air Açores para o concurso das
obrigações de serviço público interilhas e a publicação atempada das
demonstrações financeiras das várias entidades do grupo, defende o
consórcio.Este conjunto de tarefas
configura “um programa de transformação exigente”, que requer
“coordenação centralizada, especialização funcional e capacidade
dedicada de execução”, aspetos que, no modelo atual, o consórcio
Victorair considera estarem limitados.Num
setor como o transporte aéreo, "caracterizado por operações contínuas e
altamente exigentes", a Victorair considera que implica que "a gestão
corrente das companhias decorra em simultâneo com a execução deste
processo", o que "aumenta significativamente o grau de exigência
técnica, operacional e organizacional colocado sobre a estrutura
existente".“Estamos perante um problema de
engenharia de execução, não de decisão”, sustenta o consórcio,
alertando para um "calendário extremamente exigente, em que cada mês
perdido reduz significativamente o leque de soluções viáveis".O
Governo dos Açores anunciou, na quarta-feira, que vai dar orientações à
SATA para iniciar um novo processo de privatização da Azores Airlines
através de negociação particular, decisão que resulta da “experiência
adquirida no procedimento anterior”.O
Governo Regional decidiu encerrar a anterior privatização da Azores
Airlines sem adjudicação, seguindo a recomendação do júri, que concluiu
que única proposta admitida implicava “riscos inaceitáveis”, um acordo
parassocial que permitia reduzir a participação pública e uma equipa
menos experiente na aviação, segundo revelou a agência Lusa a 6 de
março.O consórcio Atlantic Connect
Group apresentou a 24 de novembro de 2025 uma proposta de 17 milhões de
euros por 85% do capital social da Azores Airlines.A
privatização da Azores Airlines vai ter de ficar concluída até ao final
do ano, segundo decisão da Comissão Europeia, que em junho de 2022
aprovou uma ajuda estatal portuguesa para apoio à reestruturação da
companhia aérea de 453,25 milhões de euros em empréstimos e garantias
estatais, prevendo medidas como uma reorganização da estrutura e o
desinvestimento de uma participação de controlo (51%).