Consórcio só compra Azores Airlines se região assumir passivo

Hoje 18:01 — Lusa/AO Online

Em entrevista à Lusa, Carlos Tavares - que está reunido com o consórcio para uma primeira abordagem ao parecer do júri do processo de privatização - considerou esta condição “sine qua non”.“Isso é um ponto que todos compreendem, uma vez que a empresa está tecnicamente falida. Aqueles que têm a ousadia de tentar com os empregados [o consórcio] uma reconstrução não podem ser penalizados por esse passado, que não é da sua responsabilidade, dos que tentam encontrar uma solução”, afirmou.O consórcio Atlantic Connect Group apresentou a 24 de novembro de 2025 uma proposta de 17 milhões de euros por 85% do capital social da Azores Airlines, tendo o Governo dos Açores solicitado a prorrogação do prazo para a privatização da companhia até 31 de dezembro de 2026, que foi aceite pela Comissão Europeia.Na quarta-feira, o júri da privatização da Azores Airlines anunciou que vai propor a rejeição da proposta do consórcio Atlantic Connect Group, a única admitida no concurso, por entender que não “salvaguarda os interesses” da SATA e da região.“O júri considera que a proposta não cumpre os requisitos definidos no procedimento, não respeita condições e obrigações previamente estabelecidas e não salvaguarda os interesses patrimoniais da SATA Holding e, consequentemente, da Região Autónoma dos Açores”, lê-se numa nota de imprensa.Carlos Tavares, ainda no âmbito das suas declarações à Lusa, sublinha ser o júri “soberano na sua posição”, estando agora a esmiuçar as 148 páginas do parecer, o que disse ser “bastante representativo da burocracia que tem marcado este processo ao longo de todos estes anos”.O CEO frisou que a empresa, em falência técnica, “tem sobrevivido à custa de ajudas de Estado”, uma vez que o Governo “não quer fechar”, mas “qualquer empresa que fique com a companhia não vai ficar com a dívida”.Carlos Tavares insiste que “o ponto essencial é a questão do passivo, uma vez que a questão do preço já foi ultrapassada, porque foi imposto”, ressalvando que os “contratos que não se considera eficientes obviamente têm que ficar do lado do vendedor”.Sobre o comentário que a proposta não salvaguarda os interesses da SATA Holding, Carlos Tavares considerou que, “obviamente, a proposta do consórcio é feita para salvaguardar os interesses do consórcio”.“Temos uma entidade vendedora, que é a SATA Holding, que tem os seus interesses. Temos uma entidade potencialmente compradora, que é o nosso consórcio, que tem os seus interesses. A questão é saber se os interesses dos dois se vão sobrepor num ponto de convergência ou se não há convergência possível”, afirmou.Carlos Tavares considerou que “se houver uma melhor solução para resolver o problema, há que saudar a solução”, sendo que se a SATA Holding quer avançar para uma venda direta “tem o poder para o fazer”.O consórcio "confirma que só esta quinta-feira recebeu a nova versão do relatório do júri do concurso relativamente à proposta de privatização".O consórcio Atlantic Connect Group tem 10 dias para exercer o contraditório, uma vez que o relatório do júri da privatização da Azores Airlines é preliminar.