Consórcio questiona em Bruxelas coerência do Estado na privatização da Azores Airlines
Hoje 11:55
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, o Atlantic Connect Group defende que a decisão europeia
conhecida estabelece que Portugal deve alienar, pelo menos, 51% do
capital da Azores Airlines e "foi com base nessa regra clara" que
estruturou uma proposta para adquirir 85% da companhia aérea açoriana,
"garantindo sustentabilidade financeira, estabilidade laboral e redução
do risco para os contribuintes".“No
entanto, a proposta mereceu parecer negativo por parte do júri do
concurso, com base num alegado incumprimento de pressupostos que nunca
foram explicados nem constam da decisão pública de Bruxelas”, aponta.O
Atlantic Connect Group refere ainda ter solicitado acesso à "versão
confidencial do acordo celebrado entre o Governo dos Açores e a Comissão
Europeia", pedido que diz ter sido “negado, sem justificação”.“Se
existem condições ou compromissos além dos que constam da decisão
tornada pública, eles nunca foram do conhecimento dos empresários”,
afirma o consórcio, considerando que “não é aceitável que critérios
desconhecidos sejam utilizados para penalizar” a sua proposta “assente
na informação oficial disponível”.O
consórcio questiona igualmente “a invocação genérica do interesse
público” como fundamento para a exclusão do Atlantic Connect Group,
defendendo que decisões baseadas “em pressupostos nunca tornados
públicos não podem permanecer sem escrutínio”.“O
Atlantic Connect Group não aceitará que uma proposta estruturada de
acordo com a informação oficial disponível seja afastada com base em
regras que nunca foram explicadas”, afirma ainda o consórcio, defendendo
que “se existiam outros critérios, deveriam ter sido tornados públicos”
e “se não existiam, terão de ser justificadas as razões que ditaram o
chumbo”.O consórcio adianta ainda que
recorrerá aos mecanismos institucionais ao seu dispor para defender a
transparência e a confiança dos trabalhadores."A
credibilidade do processo não é opcional e será levada até às últimas
consequências dentro dos mecanismos institucionais disponíveis. Se os
fundamentos invocados não encontrarem respaldo claro na decisão da
Comissão Europeia, todas as consequências decorrentes dessa opção terão
de ser assumidas, inequivocamente, por quem a tomou", lê-se.Em
janeiro, o júri da privatização da Azores Airlines, num relatório
intercalar, propôs a rejeição da proposta do consórcio Atlantic Connect
Group, a única admitida no concurso, por entender que não “salvaguarda
os interesses” da SATA e da região, segundo uma nota de imprensa então
divulgada.O consórcio Atlantic Connect
Group apresentou em 24 de novembro de 2025 uma proposta de 17 milhões de
euros por 85% do capital social da Azores Airlines, tendo o Governo dos
Açores solicitado a prorrogação do prazo para a privatização da
companhia até 31 de dezembro de 2026, que foi aceite pela Comissão
Europeia.O júri da privatização da Azores
Airlines propôs a rejeição da proposta do consórcio, a única admitida no
concurso, por entender que não "salvaguarda os interesses" da SATA e da
região e coloca a região e a companhia aérea "numa posição globalmente
mais desfavorável do que aquela que resultava da proposta apresentada
pelo mesmo consórcio em 2023".Após o
"chumbo" do júri do concurso, o empresário Carlos Tavares, do consórcio
Atlantic Connect Group, considerou, em entrevista à Lusa, que o “ponto
essencial” para compra da Azores Airlines é a assunção do passivo pela
região, sob pena de não haver negócio.Numa
entrevista recente à RTP/Açores, o presidente do conselho de
administração da SATA, Tiago Santos, considerou que a proposta do
consórcio "não serve os interesses" do grupo, dos açorianos e do Governo
Regional.Em junho de 2022, a Comissão
Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa para apoio à
reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros em
empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma
reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de
controlo (51%).