Consórcio de jornalistas revela milhares de ficheiros com esquemas financeiros de Isabel dos Santos
20 de jan. de 2020, 11:56
— Lusa/AO Online
O Consórcio Internacional de Jornalismo de
Investigação (ICIJ), que integra vários órgãos de comunicação social,
entre os quais o Expresso e a SIC, analisou, ao longo de vários meses,
356 gigabytes de dados relativos aos negócios de Isabel dos Santos entre
1980 e 2018, que ajudam a reconstruir o caminho que levou a filha do
ex-presidente angolano a tornar-se a mulher mais rica de África.Durante
a investigação foram identificadas mais de 400 empresas (e respetivas
subsidiárias) a que Isabel dos Santos esteve ligada nas últimas três
décadas, incluindo 155 sociedades portuguesas e 99 angolanas. As
informações recolhidas detalham, por exemplo, um esquema de ocultação
montado por Isabel dos Santos na petrolífera estatal angolana Sonangol,
que lhe permitiu desviar mais de 100 milhões de dólares (90 milhões de
euros) para o Dubai.Revelam ainda que, em
menos de 24 horas, a conta da Sonangol no Eurobic Lisboa, banco de que
Isabel dos Santos é a principal acionista, foi esvaziada e ficou com
saldo negativo no dia seguinte à demissão da empresária.Os
dados divulgados indicam quatro portugueses alegdamente envolvidos
diretamente nos esquemas financeiros: Paula Oliveira (administradora
não-executiva da Nos e diretora de uma empresa offshore no Dubai), Mário
Leite da Silva (CEO da Fidequity, empresa com sede em Lisboa detida por
Isabel dos Santos e o seu marido), o advogado Jorge Brito Pereira e
Sarju Raikundalia (administrador financeiro da Sonangol).