Consórcio critica SATA e Governo açoriano no processo de privatização da Azores Airlines

Hoje 11:10 — Lusa/AO Online

“O Atlantic Connect Group considera que, com ou sem divulgação do relatório, o desfecho da privatização da Azores Airlines revela uma realidade que já não pode ser ignorada: trabalhadores e investidores participaram num processo que nunca teve uma verdadeira intenção de conclusão”, afirmou o consórcio em comunicado.O agrupamento de empresas sustentou que, ao longo de três anos, estruturou “uma proposta exigente, ajustada à realidade financeira” da companhia aérea açoriana e “abriu canais de diálogo com pilotos e tripulantes”, acrescentando que a situação da empresa e o seu futuro foram discutidos com “realismo”, sem promessas de “soluções fáceis”, tendo os trabalhadores respondido com “responsabilidade, autonomia e maturidade, ao celebrarem acordos de estabilidade laboral” e acordos com sindicatos, mas que foram “simplesmente ignorados” pelo júri do procedimento.Para o consórcio, “ao chumbar a proposta do Atlantic Connect Group, o conselho de administração da SATA optou por manter problemas que são estruturais e que antecedem este processo” de privatização", nomeadamente "a não separação dos Serviços Partilhados, apesar das obrigações decorrentes da decisão da Comissão Europeia, o aumento significativo do número de trabalhadores entre 2022 e 2025 sem reforço da frota e a tentativa de impor ao comprador a assunção definitiva de obrigações" que, segundo o caderno de encargos, deveriam ser ajustadas num período de transição.O ACG acusou ainda a administração da Azores Airlines de ter agravado “drasticamente” a situação da empresa nos últimos três anos e de ter sido “incapaz” de concretizar a separação efetiva das empresas do grupo SATA, adiantando que continuam a existir trabalhadores com vínculo laboral à Azores Airlines que desempenham funções noutras empresas do grupo, incluindo ao nível das chefias.“É legítimo perguntar se todos estavam verdadeiramente comprometidos com o mesmo objetivo. Enquanto o Atlantic Connect Group negociava soluções e assumia responsabilidades à mesa com os trabalhadores, outros cenários começaram a ser preparados nos bastidores e apresentados no espaço público, antecipando o fracasso da privatização - antes mesmo de esta ser formalmente encerrada (o que ainda não sucedeu!)”, apontou.O consórcio criticou ainda o Governo dos Açores e a administração da SATA, defendendo que “não podem tratar os trabalhadores como variável secundária numa estratégia política”.Segundo o ACG, os trabalhadores “foram chamados a assumir compromissos que afinal se revelaram irrelevantes para quem decidiu”. O consórcio alerta ainda se o Governo Regional e a administração da SATA "não assumirem com clareza as consequências deste desfecho", os investidores e trabalhadores "terão legítimas razões para se sentirem figurantes" e "concluírem que participaram num processo cujo resultado estava previamente definido".O ACG apresentou em 24 de novembro de 2025 uma proposta de 17 milhões de euros por 85% da capital social da Azores Airlines.A 28 de janeiro, o júri da privatização da Azores Airlines anunciou que iria propor a rejeição da proposta do consórcio admitido no concurso, por entender que não “salvaguarda os interesses” da SATA e da região.Após a contestação do consórcio, o júri elaborou o relatório final e remeteu para o conselho de administração da SATA.Na sexta-feira, o Atlantic Connect Group manifestou “profunda preocupação” com a fase final da privatização da Azores Airlines.Ainda na sexta-feira, a administração da SATA, numa nota enviada à Lusa, anunciou que vai propor ao Governo dos Açores que o processo de privatização da Azores Airlines “seja encerrado sem adjudicação” ao único consórcio admitido, por motivos de “interesse público”.Em junho de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de controlo (51%).