Consórcio acusa júri da privatização da Azores Airlines de “alterar critérios”
Hoje 15:05
— Lusa/AO Online
Em comunicado, o agrupamento diz continuar “sem conhecer
oficialmente as razões da recusa da sua proposta” e revela ter tido
conhecimento pela comunicação social de que o júri propôs a rejeição
“com base no facto de o pagamento do preço não ser integralmente
efetuado no momento da transmissão das ações”.O
consórcio adianta que na proposta inicial estava previsto o “pagamento
integral a pronto”, mas essa condição “mereceu uma classificação de
apenas 25 pontos em 100 possíveis” na avaliação do júri, liderado pelo
economista Augusto Mateus.O Atlantic
Connect Group insiste que inicialmente o “pagamento imediato não foi
considerado relevante na avaliação” e acusa o júri de “alterar critérios
para justificar a exclusão” da proposta.“O
que não se compreende agora é o seguinte: quando o pagamento era a
pronto, o critério era desvalorizado; quando o pagamento era dilatado no
tempo, o critério foi forte o bastante para ditar a exclusão da
proposta", criticam.A 28 de janeiro, o
júri da privatização da Azores Airlines anunciou que iria propor a
rejeição da proposta do consórcio, por entender que não “salvaguarda os
interesses” da SATA e da região.O
agrupamento insiste que o preço apresentado pela companhia foi
“triplicado ao longo do processo” e questiona que “estrutura de
pagamento poderia respeitar um princípio mínimo de racionalidade
económica” face ao aumento “significativo” da proposta.“Com
as contas da companhia a afundar e com o processo de privatização a
correr, o acionista decidiu impor um valor aproximadamente três vezes
superior ao que estava inicialmente em discussão. Para ser claro, a
proposta inicial do agrupamento foi de cinco milhões de euros, tendo
subido posteriormente para os 17 milhões de euros”, lê-se no comunicado.O
Atlantic Connect Group salienta que as regras do processo estão “bem
explícitas” no caderno de encargos e destaca que “pagar a pronto ou de
forma faseada era uma opção legítima do concorrente”.“A
reinterpretação ‘a posteriori’ desses critérios levanta questões que
ultrapassam o próprio concurso e não podem ser ignoradas no quadro
institucional em que o processo está inserido. Não cabe ao júri
substituir-se às regras para decidir qual o modelo que prefere”,
acrescentam.O consórcio coloca em causa a possibilidade de alguma proposta sua ser aceite pelo júri naquelas circunstâncias. “Se
as regras podem ser reinterpretadas depois de conhecidas as propostas,
então o problema deixa de ser a proposta apresentada e é legítimo que o
Atlatic Connect Group questione se alguma proposta sua poderia, na
verdade, ser considerada aceitável”, acrescenta.O empresário Carlos Tavares, que integra o Atlantic Connect Group,
confirma, em entrevista ao jornal Eco, que o consórcio vai levar o
processo de privatização da Azores Airlines aos “tribunais portugueses e
estrangeiros”.Na terça-feira, ao
Negócios, o presidente da SATA adiantou que, após a recusa da proposta
do consórcio, a privatização da Azores Airlines vai passar pelo modelo
de venda direta.Na sexta-feira, a
administração da SATA, numa posição à Lusa, anunciou que vai propor ao
Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) que o processo de privatização da
Azores Airlines “seja encerrado sem adjudicação”, decisão que vai agora
passar pelo Conselho do Governo.Em junho
de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa para
apoio à reestruturação da companhia de 453,25 milhões de euros em
empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como o
desinvestimento de uma participação de controlo (51%).