Consórcio acusa governo açoriano de “saída política airosa” na venda da Azores Airlines
Hoje 17:46
— Lusa/AO Online
Num comunicado, o
Atlantic Connect Group (ACG) manifesta “surpresa e desilusão perante a
posição” do Governo dos Açores, que na quarta-feira
concluiu não estarem reunidas as condições para adjudicação da Azores
Airlines àquele consórcio, o único admitido no concurso.“A
atitude do executivo regional sugere uma tentativa de preparar uma
saída política airosa para um processo que correu mal, como se o governo
pudesse agora limitar-se a assistir de fora ao desfecho de uma operação
na qual teve responsabilidades formais desde o início - ou não tivesse
negociado com Bruxelas a privatização”, lê-se na nota de imprensa.De
acordo com secretário regional das Finanças, também na quarta-feira, “a
abordagem que se seguirá”, após o encerramento formal do processo que
decorreu até agora, será a “negociação particular” tendo em vista a
privatização da companhia aérea açoriana.O
ACG lamenta que o debate sobre a Azores Airlines (empresa do Grupo SATA
que faz as ligações de e para fora do arquipélago) se tenha “centrado
quase exclusivamente na forma” da privatização, como “se a culpa pelo
fracasso deste processo fosse do modelo de concurso e não da situação a
que a SATA chegou”.“A possibilidade de uma
venda direta passou a ser apresentada como solução, como se bastasse
mudar o procedimento para que todos os desafios estruturais
desaparecessem. Contudo, os problemas da companhia aérea continuam lá.
Os trabalhadores sabem-no. Os investidores sabem-no”, acrescenta.O
consórcio reitera ainda não ter tido acesso ao relatório que “sustentou
o chumbo da sua proposta” e salienta que só após conhecer o documento é
que “talvez seja possível compreender melhor as razões que conduziram a
este desfecho”.“O Atlantic Connect Group
participou no processo com seriedade, apresentou uma proposta
estruturada e negociou compromissos com trabalhadores e sindicatos num
contexto exigente. Não pode, por isso, assistir passivamente a este
lavar de mãos, disfarçado de plano b”, avisa.O agrupamento insiste em que a alteração do modelo de alienação “não vai resolver os problemas” da Azores Airlines.“Uma
coisa é evidente: mudar o procedimento não resolve os problemas da
empresa. E fingir que resolve apenas adia o momento em que a realidade
terá de ser enfrentada. Por todos”, conclui.O
presidente da SATA, Tiago Santos, afirmou na quarta-feira à agência
Lusa que o modelo de venda direta para a Azores Airlines vai permitir um
“processo ágil e otimizado”, defendendo a importância de “não se perder
mais tempo” na privatização.A 28 de
janeiro, o júri da privatização da companhia anunciou que ia propor a
rejeição da proposta do consórcio, por entender que não “salvaguarda os
interesses” da SATA e da região.Na
sexta-feira, a administração da SATA revelou que ia propor ao Governo
dos Açores que o processo de privatização da Azores Airlines fosse
“encerrado sem adjudicação”, recomendação aceite pelo executivo
regional.O consórcio ACG apresentou a 24
de novembro de 2025 uma proposta de 17 milhões de euros por 85% do
capital social da Azores Airlines.Em junho
de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa para
apoio à reestruturação da companhia de 453,25 milhões de euros em
empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como o
desinvestimento de uma participação de controlo (51%).