Conserveiras rejeitam culpas pela falta de espaço para armazenar atum nos Açores
28 de ago. de 2025, 16:14
— Lusa/AO Online
“Nós
pagamos à Lotaçor a congelação, que são 50 euros por tonelada, pagamos
as taxas de acompanhamento, as taxas de empilhador, taxas e taxinhas que
nunca mais acabam, e ainda pagamos 35 euros por tonelada de pescado que
ficar armazenado nos frigoríficos da Lotaçor”, explicou Rogério Veiros,
da associação “Pão do Mar”, que representa a indústria conserveira dos
Açores.Segundo o representante dos
industriais açorianos, os valores atualmente cobrados pela empresa de
lotas dos Açores pelo armazenamento do atum nos seus entrepostos
frigoríficos “ficam acima da média daquilo que é praticado em toda a
Península Ibérica”.Os armadores da pesca
de atum nos Açores têm vindo a queixar-se da falta de espaço para
armazenar o atum bonito, que tem surgido em grandes quantidades no mar
do arquipélago, mas os entrepostos frigoríficos da Lotaçor estão
praticamente lotados de peixe, situação que tem provocado
constrangimentos à produção.Já esta
semana, a administração da Lotaçor – empresa de lotas dos Açores,
divulgou um esclarecimento, onde refere que a falta de espaço nos
entrepostos frigoríficos deve-se, essencialmente, a dois fatores: a
abundante safra de atum, uma das melhores da última década, mas também à
reduzida capacidade de laboração das conserveiras, que é muito inferior
ao volume das descargas.“Da mesma forma
que a Lotaçor não é a causa deste constrangimento, também não é, por si
só, a solução para o mesmo”, refere o mesmo comunicado da Lotaçor,
adiantando que “esta é uma questão que tem de ser debatida com todo o
setor”, incluindo a produção, a comercialização e a indústria, sob a
orientação da Secretaria Regional do Mar e das Pescas.A
associação “Pão do Mar” lembrou que a indústria conserveira açoriana
investiu “como nunca” na atual safra de atum, adquirindo e armazenando
grandes quantidades de bonito, e propõe que o Governo Regional crie
“descontos” para o congelamento de pescado nos entrepostos frigoríficos,
para ajudar a fomentar o setor das pescas, que considera estar a ser
desprezado.“Verificamos, com alguma
tristeza, que, quando o senhor presidente da Federação Agrícola dos
Açores grita, quando acontece algo na Agricultura, chovem milhões de
euros no orçamento agrícola. Quando existe uma alteração dos fluxos
turísticos e os hotéis deixam de ter turistas, aparecem mais companhias
‘low cost’ a voar para os Açores, certamente com apoios da Região, mas
para o setor das pescas, o que assistimos nos últimos anos, é uma
diminuição das verbas orçamentadas, que nem dá para pagar os
compromissos assumidos com a indústria”, acusou Rogério Veiros.O
secretário regional do Mar e das Pescas, Mário Rui Pinho, já tinha
dito, na semana passada, em declarações aos jornalistas, que é
preferível ter os entrepostos frigoríficos da região cheios de atum, o
que significa que a este ano a safra foi “excecional”, do que tê-los
vazios, como aconteceu em anos anteriores.“É
mau termos os entrepostos cheios? Eu acho que é um sucesso! Se nós
temos os entrepostos cheios, significa que capturámos muito peixe e
significa que fomos capazes de armazenar a totalidade das nossas
capacidades”, lembrou o governante, adiantando que “resta saber se a
gestão financeira dos armadores" foi, ou não, bem feita.Os
entrepostos frigoríficos dos Açores, geridos pela Lotaçor, possuem uma
capacidade de armazenagem total de cerca de 5.500 toneladas de pescado,
mas atualmente, estão praticamente lotados com várias espécies de atum:
bonito, patudo, rabilho, voador e albacora.