Conservador Péter Magyar empossado no sábado como primeiro-ministro
Hoje 17:09
— Lusa/AO Online
Os resultados das
legislativas, marcadas por uma participação recorde de quase 80%,
determinaram uma viragem à direita no parlamento: dos 199 deputados, 141
pertencem ao Tisza, partido liderado por Magyar, enquanto o Fidesz de
Viktor Orbán obteve 52 lugares – face aos 135 da legislatura anterior – e
o movimento de extrema-direita Nossa Pátria manteve os seis eleitos.Péter
Magyar deverá prestar juramento pelas 15:00 locais (14:00 em Lisboa) e
deverá fazer dois discursos: um aos deputados e outro aos apoiantes na
Praça Kossuth, junto ao parlamento, onde são esperadas milhares de
pessoas.Magyar convocou os húngaros para
uma celebração de "mudança de regime" que dura todo o dia no sábado,
para assinalar a sua posse e o fim da era Orbán."Vamos
atravessar a porta da mudança de regime com uma grande festa. Venham
comigo, convidem a vossa família e amigos!", escreveu o futuro
primeiro-ministro da Hungria nas redes sociais.Também
o presidente da Câmara de Budapeste, o liberal Gergely Karácsony,
anunciou uma festa de "encerramento do sistema" ao longo do rio Danúbio,
que divide a capital húngara, um evento que disse ser para mostrar
gratidão aos húngaros que passaram anos a manifestar-se contra o regime
de Orbán.Mais de um quarto dos novos deputados são mulheres, um recorde neste país da Europa Central com 9,5 milhões de habitantes.Além
disso, quase todos os deputados do Tisza, que se estreia no parlamento,
são novatos na política e foram escolhidos pelo líder do partido.Magyar, um advogado de 45 anos e três filhos adolescentes, teve uma ascensão política meteórica. Até
ao início de 2023, era um discreto militante do Fidesz e desempenhava
cargos de direção em empresas públicas na Hungria, após mais de oito
anos na embaixada húngara em Bruxelas.Um
escândalo ligado a um encobrimento de pedofilia num orfanato, que fez
cair a sua ex-mulher, Judit Varga, então ministra da Justiça, levou-o a
denunciar publicamente a corrupção do Governo de Orbán e a abandonar os
cargos públicos. Juntou-se então ao Tisza,
um partido com pouca expressão criado poucos anos antes por outro
dissidente do Fidesz, e tornou-se o rosto da oposição a Viktor Orbán.Concorreu
às eleições europeias de junho desse ano, em que o Tisza teve quase 30%
dos votos e elegeu sete eurodeputados ao Parlamento Europeu.A
rápida ascensão é vista por analistas como um reflexo do
descontentamento geral no país e pelo facto de ser alguém que conhece o
“sistema Orbán” por dentro.Por outro lado,
alguns acusam-no de oportunismo e populismo, enquanto o seu partido
também cai no mesmo excesso de personalismo que critica em Orbán.Definindo-se
como católico e conservador, centra o seu discurso político em
problemas que afetam a vida quotidiana dos cidadãos húngaros: o mau
estado da economia, a corrupção, bem como outras questões sociais, como a
saúde e a educação.Apesar da sua
ideologia conservadora, Magyar conseguiu atrair o apoio de eleitores
liberais e de esquerda, que viram nele o único líder capaz de derrubar
Orbán.