Conselho Superior do Ministério Público abre averiguação ao inquérito ao juiz Ivo Rosa
10 de out. de 2025, 12:05
— Lusa/AO Online
Em
resposta enviada à Lusa, a PGR explicou que “o Conselho Superior do
Ministério Público analisou a questão e deliberou proceder à abertura,
nos termos do artigo 264.º do Estatuto do Ministério Público, de um
processo de averiguação”. A reunião
aconteceu esta quarta-feira, dia 8 de outubro, e o Conselho Superior do
Ministério Público tem competências para abrir averiguações. De acordo
com o Estatuto do Ministério Público, “o Conselho Superior do Ministério
Público pode ordenar a realização de processo de averiguação sobre
queixa, participação ou informação que não constitua violação manifesta
dos deveres dos magistrados do Ministério Público”. O
processo de averiguação, segundo o mesmo estatuto, “destina-se a apurar
a veracidade da participação, queixa ou informação, e a aferir se a
conduta denunciada é suscetível de constituir infração disciplinar”.Esta
reunião aconteceu no dia em que o agora juiz desembargador Ivo Rosa, em
resposta escrita à Lusa, disse que ainda aguarda respostas da
Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre acesso aos inquéritos de que
foi alvo e sobre o total de processos abertos pelo Ministério Público.O
juiz explicou que tem conhecimento da existência de três inquéritos,
“segundo parece todos arquivados”, de acordo com informação que obteve
“na sequência de um pedido dirigido ao Ministério Público junto do
Supremo Tribunal de Justiça”.A CNN/TVI
noticiou na última semana que Ivo Rosa foi alvo de um processo-crime,
quando exercia funções de juiz de instrução no Tribunal de Instrução
Criminal, e que terá tido como base uma denúncia anónima recebida pelo
DCIAP e pela Polícia Judiciária (PJ).Nesta
investigação, o Ministério Público terá acedido a faturação do então
juiz de instrução, à localização do telemóvel e a contas bancárias,
acrescentou então a CNN/TVI, por suspeitas de corrupção, peculato e
branqueamento de capitais.O processo-crime
foi aberto no início de 2021, meses antes de o juiz Ivo Rosa anunciar,
em abril desse ano, a decisão instrutória do processo Operação Marquês,
em que o juiz deixou cair a maioria dos crimes que constavam na acusação
do Ministério Público, tendo o Tribunal da Relação de Lisboa revertido
mais tarde a decisão.Já esta semana, a PGR
assegurou, em comunicado, que as diligências efetuadas no âmbito da
investigação ao juiz Ivo Rosa, entre 2021 e 2024, respeitaram os
direitos, liberdades e garantias previstos na lei e não incluíram
interceções telefónicas.“Nesta
investigação, o Ministério Público foi coadjuvado pela Polícia
Judiciária. A prova, uma vez recolhida, careceu de análise. Concluída a
mesma, o Ministério Público junto do Supremo Tribunal de Justiça
determinou, no dia 20 de março de 2024, o arquivamento do inquérito”,
avançou o esclarecimento da PGR.