Conselho Permanente da CEP reúne-se com abertura de arquivos diocesanos nas preocupações
7 de fev. de 2022, 17:28
— Lusa/AO Online
A comissão
liderada por Pedro Strecht começou a trabalhar no mês de janeiro e, até
ao momento, terá já recebido cerca de duas centenas de testemunhos
sobre alegados casos de abuso sexual no seio da Igreja Católica em
Portugal desde 1950.A possibilidade de
esta comissão ter acesso aos arquivos das 21 dioceses portuguesas tem
sido um assunto várias vezes abordado, como o secretário da Conferência
Episcopal Portuguesa (CEP) a confirmar, em declarações à CNN Portugal,
que “é um tema que está a ser tratado”.Já
ao Correio da Manhã, Manuel Barbosa disse que "o assunto estará em cima
da mesa nas próximas reuniões dos bispos" e que "é natural que, depois
de terem decidido criar uma comissão independente de investigação a
eventuais casos de abusos sexuais, lhe permitam acesso aos arquivos
históricos da Igreja".Entretanto, a Comissão
Independente para o Estudo dos Abusos de Menores na Igreja prepara-se
para contactar os 308 municípios portugueses, fazendo um apelo a que
divulguem formas de fazer passar a mensagem, para chegar mais perto de
eventuais vítimas de abuso, informou o jornal digital 7Margens.Cada
município receberá uma carta, acompanhada de um cartaz onde estão
indicados os contactos da Comissão, ao mesmo tempo que será feito um
apelo à imprensa e rádios locais, estruturas, instituições, juntas de
freguesia, coletividades recreativas e culturais para que ajudem a
divulgar os contactos para onde devem ser encaminhados os testemunhos
sobre alegados casos de abuso.No passado sábado, foi criado o órgão coordenador das Comissões
Diocesanas de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, integrando
representantes das Províncias Eclesiásticas de Braga (Marta Neves e
Carlos Alberto Pereira), de Lisboa (Paula Margarido e José Souto de
Moura) e de Évora (Custódio Moreira).Esta
equipa vai agora estabelecer a metodologia de trabalho, incluindo a
escolha de quem vai presidir ao grupo, tendo ficado estabelecido que
“respeitará a autonomia de trabalho de cada Comissão Diocesana, assim
como da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as
Crianças na Igreja Católica em Portugal, manifestando disponibilidade
para ajudar em tudo o que possa facilitar e agilizar o trabalho que esta
desenvolve”.Segundo um comunicado da CEP,
“a Coordenação Nacional das Comissões Diocesanas tem o objetivo de
assessorar o trabalho de cada comissão diocesana, propor procedimentos e
orientações comuns, ajudar em tudo o que possa proteger as vítimas e
esclarecer sobre quadros normativos canónicos e civis relacionados com
os processos de abuso sobre menores, tanto no que respeita ao
acompanhamento da vítima como na atenção ao agressor”.Esta
equipa “poderá propor etapas de formação específica sobre a proteção de
menores no âmbito eclesial, seja para as várias Comissões Diocesanas
como também para diferentes setores da pastoral da Igreja Católica em
Portugal”.A constituição deste grupo foi
anunciada no mês de outubro do ano passado e o mesmo não tem nada a ver
com a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos de Menores na
Igreja, liderada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht.As
Comissões Diocesanas de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis foram
constituídas, de forma interdisciplinar, nas 21 dioceses portuguesas
por indicação do Vaticano e das decisões da Conferência Episcopal
Portuguesa e atuam de acordo com as normas canónicas definidas pela
Santa Sé e pelo documento “Proteção de menores e adultos vulneráveis –
Diretrizes”, aprovado em 13 de novembro de 2020 na Assembleia Plenária
da CEP.A reunião de terça-feira do
Conselho Permanente da CEP é também a primeira realizada após as
eleições legislativas de 30 de janeiro, sendo expectável uma abordagem
aos resultados que deram a maioria absoluta ao Partido Socialista.