Conselho Nacional Saúde defende plano nacional para retoma de cuidados
Covid-19
22 de out. de 2020, 11:40
— Lusa/AO Online
“Este plano deverá ser inclusivo e
ter especial atenção às pessoas mais afetadas pela pandemia e às em
situação de maior vulnerabilidade” e deverá “envolver o setor público,
social e privado” e “promover a proximidade e a colaboração entre a
saúde e a segurança social”, escreve o CNS.Num
documento de reflexão sobre a resposta de Portugal à pandemia no qual
faz uma série de recomendações para o futuro, o CNS defende também que
se devem “antecipar as potenciais respostas aos próximos desafios da
covid-19”, que devem ser adequadas à realidade epidemiológica local.Defende
igualmente no mesmo documento divulgado no seu ‘site’ o reforço das
redes locais de colaboração no combate à pandemia, incluindo autarquias,
associações de utentes e de cidadãos, entidades públicas e privadas da
área da saúde, social e da educação, “de modo a que possam ser
rapidamente ativadas em situações de emergência para identificar
necessidades e dar resposta em tempo útil”.Melhorar
a comunicação de risco, que deve ser “transparente, inclusiva e
adaptada aos vários públicos-alvo” e reforçar e investir em estratégias
de promoção da saúde física e mental e de prevenção da doença,
contribuindo para a literacia em saúde e a resiliência da população, são
outras das recomendações do CNS.Este
órgão consultivo do Governo defende ainda a manutenção das medidas
concretizadas durante a pandemia para melhorar o acesso aos cuidados de
saúde, como a dispensa nas farmácias de comunidade dos medicamentos que
tinham de ser levantados no hospital, a facilitação do acesso de
migrantes ao SNS e a renovação automática de prescrição em doentes
crónicos.Recomenda igualmente um reforço
do Serviço Nacional de Saúde ”através de um financiamento adequado e da
contratação e valorização dos profissionais”, uma maior articulação na
gestão das equipas e serviços e a promoção da liderança e
responsabilização das instituições de saúde, fomentando “a colaboração
entre os cuidados de saúde primários, hospitalares, continuados e o
setor privado e social de forma a partilhar recursos e potenciar a
resposta”.A articulação entre o Ministério
da Saúde e o Ministério do Trabalho e Solidariedade Social também
deveria ser reforçada e a Rede Nacional de Cuidados Continuados
Integrados consolidada, “articulando com clareza as questões de saúde e
de segurança social”, sugere.O CNS diz
ainda que as pessoas direta ou indiretamente afetadas pela crise
pandémica devem ser apoiadas, “contemplando, para além da saúde, medidas
que garantam a todos condições adequadas de alojamento, alimentação e
transporte, assim como a compensação da perda de rendimento e a
recuperação das aprendizagens escolares”. Recomenda
ainda que se criem mecanismos para uma real e efetiva participação em
saúde, “envolvendo o cidadão na identificação de necessidades e
expectativas e na definição, implementação e avaliação das respostas”.“O
CNS, enquanto órgão participativo e consultivo do Governo, deve ser um
agente ativo, facilitador dessa participação e articulação em saúde,
cuja auscultação formal deveria estar mais explicitamente implementada”,
acrescenta.