Conselho Nacional do PSD reúne-se hoje mas estatutos podem ser adiados para novembro
12 de set. de 2018, 08:32
— Lusa/AO Online
Na reunião,
marcada para as 21:00 nas Caldas da Rainha (Leiria), a mesa do Conselho
Nacional irá colocar à deliberação do órgão máximo entre Congressos se a
votação das propostas de alteração estatutária fica adiada para a
próxima reunião, prevista para novembro, já que várias estruturas locais
se queixaram de não as conhecer em profundidade.Para serem aprovadas, as propostas de alteração estatutária têm de ter uma aprovação de três quintos dos conselheiros nacionais.São
quatro os proponentes de alterações aos estatutos do PSD: o membro do
Conselho Nacional de Jurisdição Paulo Colaço, o antigo deputado António
Rodrigues, o ex-líder da JSD e fundador do movimento “Portugal não pode
esperar” Pedro Rodrigues e as Mulheres Social-Democratas, uma estrutura
informal que visa precisamente ter reconhecimento formal nas normas do
partido.Da
ordem de trabalhos da reunião de hoje, fazem também parte a aprovação do
novo Regulamento Eleitoral do PSD – com alterações consideradas
menores, com o objetivo de adaptar o partido à futura informatização – e
a apresentação e debate do documento estratégico para a política da
Saúde, que ainda não foi tornado público.Este
documento, elaborado pelo Conselho Estratégico Nacional (CEN) do
partido, chegou a ter apresentação prevista até final de julho e o
presidente do PSD, Rui Rio, anunciou as suas linhas de força no jantar
de final de sessão legislativa do grupo parlamentar.No
entanto, de acordo com o jornal Público, o documento inicial não foi
consensual dentro da própria direção por dar ao utente a possibilidade
de escolher entre o setor público e privado, financiada pelo Estado.Em
17 de julho, no jantar com os deputados do PSD, Rui Rio questionou se o
Governo está a cumprir a Constituição em matéria de saúde – que prevê o
acesso “tendencialmente gratuito” a este setor -, e anunciou que
pretende fazer “uma reforma estrutural” assente na concorrência entre
público, privado e setor social.Nessa
ocasião, Rui Rio defendeu que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem de
continuar a ser visto como “uma conquista indiscutível da sociedade
portuguesa”, mas pediu “uma maior concorrência”, quer entre público e
privado, quer dentro do setor público, dizendo rejeitar qualquer
primazia de qualidade dos privados.O
presidente do PSD propôs então um reforço da autonomia das
administrações hospitalares, um sistema de incentivos e penalizações em
funções dos objetivos e um reforço da transparência para que os
portugueses possam conhecer os rácios de cada hospital e “pressionar” os
piores.O
Conselho Nacional de hoje será também o primeiro depois de Pedro Santana
Lopes – o antigo número um da lista de unidade com Rui Rio eleito em
Congresso para este órgão – ter saído do PSD no início de agosto com a
intenção de fundar um novo partido, a Aliança.Nas
últimas semanas, têm gerado polémica as críticas de Rui Rio aos
opositores internos, com vários deputados e ex-dirigentes a lamentarem
que o presidente do PSD tenha aconselhado quem discorda
“estruturalmente” a seguir o exemplo de Santana Lopes e sair do partido.