Conselho Nacional do PSD analisa resultados das legislativas e vota apoio a Mendes para Belém
28 de mai. de 2025, 15:22
— Lusa/AO Online
Na reunião, será feita a
análise dos resultados eleitorais das legislativas de 18 de maio, que
ditaram um reforço da AD em votos e mandatos – e, sobretudo, na
distância para o segundo e terceiro classificado em relação à última
legislatura -, mas longe de uma maioria absoluta.O
resultado - com o Chega a poder ultrapassar o PS em número de deputados
e tornar-se a segunda força política - ditou de imediato a demissão do
líder socialista, Pedro Nuno Santos.Quer o
secretário-geral interino do PS – o presidente do partido Carlos César –
quer o até agora candidato único à liderança, José Luís Carneiro, já
sinalizaram que os socialistas vão viabilizar a entrada em funções do
XXV Governo Constitucional, com Carneiro a defender que deve ser a AD a
dar o primeiro passo para o diálogo e a afastar, para já, uma comissão
de inquérito à empresa Spinumviva, na origem da crise política.Nos
últimos dias, a IL anunciou que irá avançar com um projeto de revisão
constitucional – o que desencadeará automaticamente um processo de
revisão -, ideia apoiada pelo Chega, que desafiou os líderes do PSD e
dos liberais a um entendimento prévio nesta matéria, ainda sem resposta
pública.Estes três partidos, juntos, têm
mais de dois terços dos deputados, mas também a soma dos parlamentares
do PSD, PS e IL permite essa maioria.O
presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, mantém-se em
silêncio desde a noite eleitoral, não tendo sequer prestado declarações
aos jornalistas na primeira audiência com o Presidente da República,
dois dias após as eleições.Na noite
eleitoral, leu os resultados como um voto de confiança enquanto
primeiro-ministro, no Governo e no projeto político da AD, prometendo
diálogo, mas pedindo responsabilidade “às oposições”, sem falar nem no
PS nem no Chega.Em relação a 2024, e sem
os círculos da emigração, a AD subiu pelo menos 9 deputados e cerca de
140 mil votos, totalizando 89 parlamentares e 32,7% dos votos, com PS e
Chega para já com 58 parlamentares.Nessa
ocasião, o líder da AD disse “não ver outra solução de Governo” que não
passe por PSD e CDS-PP: “O povo quer este primeiro-ministro e não quer
outro; o povo quer que este Governo dialogue com as oposições, mas o
povo também quer que as oposições respeitem e dialoguem com este Governo
e com este primeiro-ministro”.Na
quinta-feira, Montenegro vai voltar a ser ouvido por Marcelo Rebelo de
Sousa e poderá ser indigitado nessa ocasião novamente primeiro-ministro,
ainda antes de chegar ao Conselho Nacional do partido.De
acordo com a convocatória do órgão máximo do PSD entre Congressos, a
reunião terá também na ordem de trabalhos, além da análise da situação
política, o “apoio a candidatura a Presidente da República”.Apesar
de a convocatória não referir qualquer nome, vários dirigentes do PSD,
incluindo Luís Montenegro, já deixaram claro que irão propor ao partido o
apoio ao seu antigo líder Luís Marques Mendes, que apresentou a
candidatura no início de fevereiro para as eleições presidenciais de
janeiro do próximo ano.O Conselho Nacional
do PSD, marcado para as 21h00 num hotel em Lisboa, vai realizar-se
poucas horas depois de o almirante Henrique Gouveia e Melo apresentar
oficialmente a sua candidatura à Presidência da República, iniciativa
marcada para as 19h00 na Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa.De
acordo com os estatutos do PSD, compete ao Conselho Nacional “aprovar
as propostas referentes ao apoio a uma candidatura a Presidente da
República”.Nas últimas presidenciais, o
PSD aprovou, na direção de Rui Rio, o apoio à recandidatura de Marcelo
Rebelo de Sousa Belém em setembro de 2020, ainda antes de o próprio a
ter anunciado, uma moção que passou sem votos contra (61 a favor e nove
abstenções).