Conselho Nacional de Educação critica dificuldades no acesso a número de alunos sem aulas
8 de jan. de 2025, 11:18
— Lusa/AO Online
“Persistem
dificuldades no que se refere ao acesso à informação, que,
invariavelmente, é decisiva para que se possam tomar decisões numa
diversidade de domínios como é o caso dos dados referentes à disciplina
de Português Língua Não Materna (PLNM), ao número de alunos que não têm
aulas porque a sua escola não tem professores que as possam lecionar”,
escreve o presidente do CNE, Domingos Fernandes, no relatório “Estado da
Educação 2023”, hoje divulgado.No texto
introdutório, Domingos Fernandes diz saber-se que as escolas públicas
tinham “116.589 alunos estrangeiros, 60.757 dos quais de nacionalidade
brasileira”, mas "a disciplina foi frequentada por 13.923 alunos",
refere, adiantando que "pode sempre questionar-se em que medida a oferta
existente foi capaz de responder às necessidades reais dos alunos
migrantes que não dominam a língua portuguesa. Lamentavelmente, não foi
possível obter a informação que nos permita conhecer o que de facto
se passou e se passa num domínio tão relevante como este”.O
presidente do CNE defende que “é preciso recolher dados que
caracterizem exaustivamente a situação em cada escola e em cada
agrupamento pois só assim é possível tomar as medidas mais eficientes,
eficazes e adequadas”.Domingos Fernandes
salienta também a dificuldade de acesso a informações que revelem o
impacto do diploma que garante uma educação inclusiva, nomeadamente aos
alunos com necessidades especiais, lembrando que a legislação previa,
por exemplo, um acompanhamento e monitorização “das práticas inclusivas
de cada escola” e um “relatório de meta-análise” anual.Há ainda outros “dois problemas prementes e muito preocupantes”: A falta de professores e os alunos sem aulas.“Na
educação básica e secundária, continua a ser extremamente difícil repor
os docentes que vão saindo do sistema. O aumento da percentagem dos
professores com menos de 30 anos, embora sucessivo, não chega a
2%”,alerta o relatório anual hoje divulgado.Mas
este é um problema que afeta também o ensino superior, onde quase
metade dos docentes tem mais de 50 anos, revela o Estado da Educação
2023, que fala numa situação “preocupante”.As
tecnologias e a educação digital também são abordadas no relatório,
onde se lê que há mais equipamentos, mais acesso à internet nas escolas e
mais formação de professores, mas faltam “evidências (provas)
disponíveis que permitam avaliar o impacto” destas medidas na melhoria
da qualidade das aprendizagens, nos resultados educativos ou na inclusão
digital.O relatório deste ano
apresenta quatro textos de assessores técnicos que abordam questões que
vão desde a creche ao ensino superior.Os
dois primeiros textos - “A educação dos 0 aos 12: uma retrospetiva em
direção ao futuro” e “Uma educação secundária para o futuro” - defendem
uma mudança na estrutura do sistema.A
ideia é passar as creches para a tutela do Ministério da Educação,
Ciência e Inovação (MECI), no que concerne à componente educativa e
pedagógica, e garantir a sua universalidade. Ideias que têm sido
defendidas pela atual equipa liderada pelo ministro Fernando Alexandre.O
fim do 2.º ciclo (5.º e 6.º anos) é outra das propostas do texto, que
defende um ciclo único que começa aos seis e termina aos 12 anos,
acabando a “transição brusca” de um 4.º ano com apenas um professor
responsável para um 5.º ano com mais de 10 disciplinas.No
texto sobre “Uma educação secundária para o futuro”, o CNE defende a
necessidade de valorizar todos os cursos de nível secundário, incluindo
os do ensino artístico especializado e os profissionais.O
terceiro texto aborda a questão da disciplina de Português Língua Não
Materna (PLNM) e o último texto apela para uma “pedagogia inovadora na
educação superior”.Domingos Fernandes
lembra que “apenas alguns professores” do ensino superior “desenvolvem
práticas pedagógicas consistentes com as recomendações constantes na
literatura e apenas algumas instituições consideram de forma importante
os conhecimentos pedagógicos e as práticas pedagógicas para efeitos de
recrutamento ou para efeitos da avaliação e progressão dos docentes”.