Conselho Europeu começa na segunda-feira discussão sobre cargos topo que envolve Costa
14 de jun. de 2024, 17:00
— Lusa/AO Online
Na
segunda-feira, os líderes da UE – incluindo o chefe de Governo
português, Luís Montenegro – reúnem-se num jantar informal em Bruxelas
para debater o próximo ciclo institucional, uma semana depois das
eleições europeias, que deram vitória ao Partido Popular Europeu (PPE),
seguido dos Socialistas e Democratas (S&D) e dos liberais do Renovar
a Europa.“O Conselho Europeu é
fundamental para designar os próximos cargos de alto nível da UE,
nomeadamente eleger o presidente do Conselho Europeu, nomear o
presidente da Comissão Europeia e nomear o Alto Representante da União
para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança”, assinala a
instituição na agenda da cimeira informal.Neste
encontro de alto nível será então discutido o pacote sobre as
lideranças institucionais (que inclui ainda a presidência do Parlamento
Europeu, embora não oficialmente), sendo que “qualquer decisão do
Conselho Europeu tem de refletir a diversidade da UE em termos de
geografia, dimensão do país, género e filiação política”, lembra a
instituição na nota de agenda.Os nomes que
mais se falam em Bruxelas são os de António Costa para o Conselho
Europeu, de Ursula von der Leyen para um novo mandato à frente da
Comissão Europeia, da primeira-ministra da Estónia para Alta
Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de
Segurança e de Roberta Metsola para reeleição na liderança do Parlamento
Europeu.Fonte europeia conhecedora das
discussões disse à Lusa que “as coisas vão na direção certa” para a
nomeação de Costa, assim como de Von der Leyen e Metsola, não
acontecendo o mesmo com Kaja Kallas por se esperar que, numa outra
negociação fora da UE, se escolha o primeiro-ministro holandês, o também
liberal Mark Rutte, para secretário-geral da NATO.Os Socialistas devem anunciar em breve o seu apoio oficial a António Costa, bem como o aval a Von der Leyen.Fonte
do PPE indicou à Lusa que a posição do partido de centro-direita sobre
apoio a António Costa depende do pacote apresentado no Conselho Europeu,
embora haja interesse num acordo sobre os quatro cargos de topo. A
mesma fonte lembrou o apoio de Luís Montenegro à nomeação de António
Costa, que garantiu que não será bloqueado pela sua família política
europeia.Fonte dos Liberais escusou-se a
comentar, indicando que a bancada do Renovar a Europa está concentrada
na composição do grupo e só depois pensará nos lugares de topo.Em
entrevista à Lusa no final de maio, o presidente do Conselho Europeu,
Charles Michel, disse ser “dever” dos líderes da UE chegarem, no final
de junho, a acordo sobre as lideranças dos cargos de topo no próximo
ciclo institucional, pela “continuidade” do projeto europeu.Foi
aliás, para “maximizar as hipóteses” de acordo que Charles Michel
organizou este jantar informal dos chefes de Governo e de Estado da UE
de segunda-feira, antes da decisiva cimeira europeia de 27 e 28 de
junho.Tem vindo, ainda, a realizar encontros bilaterais com líderes da UE, incluindo Luís Montenegro.Apesar
da sua demissão na sequência de investigações judiciais, o
ex-primeiro-ministro português, António Costa, continua a ser apontado
para suceder ao belga Charles Michel (no cargo desde 2019) na liderança
do Conselho Europeu, a instituição da UE que junta os chefes de Governo e
de Estado da UE, numa nomeação que é feita pelos líderes europeus, que
decidem por maioria qualificada (55% dos 27 Estados-membros, que
representem 65% da população total).Além
do primeiro-ministro português, Luís Montenegro, que já disse que
apoiaria a nomeação de António Costa, há outros 11 chefes de Governo e
de Estado do PPE (de países como Grécia, Croácia, Letónia, Suécia,
Áustria, Irlanda, Roménia, Finlândia, Chipre, Polónia e Luxemburgo).É
também o Conselho Europeu que propõe o candidato a presidente da
Comissão Europeia, instituição que tem vindo a ser liderada desde 2019
por Ursula von der Leyen, num aval final que cabe depois ao Parlamento
Europeu, que vota por maioria absoluta (metade dos 720 eurodeputados
mais um).