CESA pede que recapitalização do tecido empresarial seja repensada
PRR
26 de jul. de 2024, 14:35
— Lusa/AO Online
A
responsável pela comissão de avaliação do PRR no CESA, Alexandra
Bragança, disse hoje que, pelos dados atuais, em relação ao investimento
da recapitalização do tecido empresarial da região é dado “quase como
certo que não será possível atingir as metas preconizadas”.“Existe,
neste momento, um instrumento financeiro que está a ser comercializado
pelo Banco de Fomento, que é o CAP 1, que é destinado às pequenas e
médias empresas. Tem uma dotação de 20 milhões [de euros]. Neste
momento, as candidaturas aprovadas não chegam a 1 milhão”, disse aos
jornalistas.Alexandra Bragança falava em
Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, no final de uma reunião ordinária
do CESA, onde a proposta do Relatório Periódico de Monitorização do
PRR-Açores relativo ao primeiro trimestre de 2024 foi analisada e
aprovada por unanimidade.“É suposto, até
ao final de 2024, ser apresentado um relatório que demonstre que 50
milhões foram entregues às empresas da região, ao abrigo da dotação
financeira da recapitalização, e não se perspetiva que isso vá ser
atingido, porque, neste momento, só está a ser comercializado um
instrumento relativo a 20 milhões. Destes 20 milhões, cerca de 1 milhão é
que está aprovado em termos de candidaturas”, justificou.E
prosseguiu: “O sistema CAP 2 ainda não está sequer a ser
comercializado. Não vemos com bons olhos que, de facto, estes 125
milhões que estão alocados à recapitalização das empresas consigam ser
entregues ao tecido empresarial, porque não está a ser considerado
cativante ou apetecível por parte das nossas empresas”.Para
o CESSA, “seria bom que se começasse a repensar os moldes em que este
instrumento está a funcionar, seja pela inércia do próprio Banco de
Fomento, seja porque não tem uma delegação nos Açores, seja porque as
empresas não o consideram como sendo apelativo”.“Alguma
coisa tem que ser feita porque, senão, vamos perder aqui uma grande
dotação financeira para as nossas empresas”, defendeu.Sobre
as razões para o insucesso, alegou que as empresas “não estão a
considerar o instrumento como apetecível”, talvez devido à “enorme carga
burocrática” que apresenta e porque “o tempo de resposta do próprio
Banco de Fomento não está a satisfazer”.A
presidente da comissão de análise do PRR no CESA defende que o mecanismo
seja revisto: “Se relativamente ao restante da dotação para perfazer os
125 milhões, vamos optar por um sistema idêntico a este ou não, que
passe ou não passe pelo Banco de Fomento …”.“Há
aqui muita questão que tem que ser reequacionada e tem que ser
agilizada porque implica a intervenção não só da União Europeia como
também das negociações a decorrer com o próprio Banco de Fomento”,
rematou.Na reunião de hoje, o CESA
concluiu que no primeiro trimestre de 2024 a taxa de execução global do
PRR - Açores se situa nos 72%.“Dos 145
marcos e metas que era suposto os Açores terem atingido e executado até
31 de março deste ano, aquilo que foi executado foram 105 marcos e
metas, o que equivale a uma taxa de execução de 72%”, explicou a
responsável.Para os próximos quatro
trimestres prevê-se que “existam cerca de 39 marcos e metas para
executar e que destes 39 marcos e metas 29 estarão dentro do prazo, o
que significa que corresponde a uma taxa de 74%”.As
áreas que mais se destacam pela positiva são a da transição digital,
“que está com 94% de execução”, e a da transição climática, com 76%.A
dimensão da resiliência é aquela que tem registado mais problemas,
segundo Alexandra Bragança, mas existe um investimento com 100% de
execução, que diz respeito aos circuitos logísticos.