Conselho Económico e Social dos Açores apela ao combate ao despovoamento das ilhas
22 de out. de 2019, 12:00
— Lusa/AO Online
“Temos propostas no
domínio da população e do estudo da população e da necessidade que temos
de implementar uma estratégia de médio e longo prazo, que é uma questão
estrutural, que não se resolve num dia e que tem a ver com o
despovoamento de algumas ilhas e com a necessidade de uma abordagem
integrada de vários pareceres sociais. Não basta só o Governo, nem só os
privados, mas outras instituições têm de cooperar, porque isto é um
desígnio regional dos Açores - a questão da dinâmica da população”,
adiantou.Gualter Furtado falava aos
jornalistas, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, à margem de uma
reunião com o vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Sérgio
Ávila, em que entregou um conjunto de pareceres individuais sobre o
Plano e Orçamento da Região para 2020 dos membros do Conselho Económico e
Social. “Acho que cumprimos com o nosso
dever em relação àquilo que nos era exigido”, salientou o presidente do
órgão independente e de caráter consultivo, que iniciou atividade este
ano.Além das propostas de combate ao
despovoamento das ilhas, foram entregues pareceres da Universidade dos
Açores, da Federação Agrícola dos Açores, da Câmara de Comércio e
Indústria dos Açores, da UGT e da CGTP, entre outros. Segundo Gualter
Furtado, os documentos “merecem alguma reflexão e algum estudo”.O
presidente do Conselho Económico e Social alertou, no entanto, para a
necessidade de no futuro o órgão dar um parecer próprio, em vez de
vários pareceres individuais dos diferentes membros.“Tal
qual está formulada a legislação em vigor e que criou o Conselho
Económico e Social e depois o diploma que o regulamenta, vamos ter de
ver isso bem, porque há um entendimento de que os pareceres são
individuais, dados pelos representantes das organizações pertencentes ao
conselho. No futuro, temos de evoluir para um parecer do próprio
Conselho Económico e Social”, apontou, acrescentando que cerca de 70%
dos membros entregaram parecer.O
economista manifestou ainda a disponibilidade dos membros do Conselho
Económico e Social para “cooperar, analisar e dar pareceres” sobre as
necessidades decorrentes dos estragos provocados pelo furacão “Lorenzo”,
salientando, ainda assim, que “as coisas estão bem encaminhadas”, já
que foi assegurado esta semana que “a solidariedade nacional vai mesmo
funcionar neste processo”.Em causa está o compromisso do Governo da República de comparticipar 85% dos prejuízos.A
anteproposta de Plano e Orçamento da Região Autónoma dos Açores para
2020, apresentada aos parceiros sociais em finais de setembro, prevê um
crescimento de investimento público direto "superior a 43 milhões de
euros", adiantou na altura o vice-presidente do executivo açoriano.Sérgio
Ávila estimou ainda em 52 milhões de euros o aumento das receitas da
região em 2020, indicando que a maior parte desse valor será "canalizado
para o aumento investimento público" e para "acomodar os compromissos
assumidos" pelo executivo no que se refere, por exemplo, à contagem do
tempo de serviço professores" ou às carreiras na administração pública."O
que estes documentos trazem é um reforço do investimento público",
asseverou ainda, adiantando também que a transportadora pública açoriana
SATA - cujos resultados do primeiro semestre serão hoje conhecidos -
será capitalizada em 40 milhões de euros.Os
documentos serão debatidos e votados no próximo mês na Assembleia
Legislativa da Região Autónoma dos Açores, onde o PS tem maioria
absoluta.