Conselho Económico e Social alerta para insuficiência das receitas dos Açores
21 de out. de 2024, 16:04
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas, o presidente do CESA considerou ser
necessário aumentar as receitas próprias da região, a propósito da
anteproposta de Orçamento dos Açores para 2025, que vai ser votado no
parlamento açoriano em novembro.“A
primeira nota é uma nota de preocupação. De facto, no documento que nos
foi presente, continuam as despesas de funcionamento a não serem
cobertas pelas receitas próprias”, realçou Gualter Furtado.O
economista falava aos jornalistas em Ponta Delgada após uma reunião do
CESA, onde o parecer às propostas de Plano e Orçamento da região para
2025 foi aprovado por unanimidade.“Esta
autonomia tem de caminhar no sentido de, pelo menos, garantir formas de
financiamento que permitam alimentar a máquina da administração pública
regional. Por conseguinte, este documento continua a trazer-nos uma
proposta onde as receitas próprias são insuficientes para financiar as
despesas”, reforçou.O líder do CESA
destacou ainda que as propostas orçamentais apresentam como novidade a
“possibilidade de haver endividamento”, depois de nos últimos anos o
Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) ter implementado uma política de
endividamento zero.Para os conselheiros, será um “mal menor” se o endividamento for canalizado apenas para as despesas de investimento.“Foi
aprovada uma recomendação em sede do CESA no sentido que esse reforço
do endividamento fosse feito exclusivamente para os programas que
envolvem fundos comunitários. O que está em causa são despesas de
investimento”, revelou.Gualter Furtado
apelou também ao “rigor na despesa pública” e defendeu a necessidade de a
iniciativa privada ter um “maior peso na economia da região”.Por
outro lado, o presidente do CESA reconheceu a “importância de rever a
Lei de Finanças Regionais”, mas alertou que essa alteração “não é a
panaceia para todos os males”.“Apelamos à
necessidade de uma alteração na Lei de Finanças Regionais, mas não como
panaceia para todos os males da Região Autónoma dos Açores”, avisou.No
parecer às antepropostas de Plano e Orçamento para 2025, consultado
pela agência Lusa, o CESA defende que o saldo orçamental, a existir,
“deve ser usado para o pagamento da dívida” e alerta para o aumento da
criminalidade e para a “problemática da saída de jovens qualificados
para fora da região”.Além disso, os
parceiros sociais consideram preocupante o “nível elevado de pobreza”,
reivindicam uma “diversificação da economia para mitigar riscos a longo
prazo” da dependência do turismo e pedem mais celeridade no processo de
privatização da Azores Airlines.Aquando da
divulgação do Orçamento do Estado para 2025, o secretário regional das
Finanças recordou que a anteproposta de Orçamento dos Açores para o
próximo ano prevê um endividamento até 150 milhões de euros “para o caso
de não ser repristinada a Lei das Finanças das Regiões Autónomas no que
diz respeito ao IVA”, que não foi, nesta fase, inserida nos documentos
orçamentais.