Conselho dos Museus alerta que crise acentua desigualdades e exige novas soluções
17 de mai. de 2020, 17:34
— AO/LUSA
O alerta é expresso num documento sobre o Dia Internacional dos Museus, que se celebra na segunda-feira, e que coincide com a reabertura de museus, monumentos e galerias de arte, encerrados desde 14 de março devido às exigências sanitárias no quadro da pandemia covid-19."Este desafio é tanto maior quanto esta crise ", sublinha este organismo - cuja nova direção tomou posse em março - no documento hoje difundido no seu sítio ´online´ e nas redes sociais.O ICOM (sigla da designação em inglês) é uma organização não governamental dedicada à preservação do património cultural através da divulgação de boas práticas e, em Portugal, possui mais de 400 membros, incluindo museus nacionais, municipais, privados e diversas instituições museológicas.No texto, a entidade reflete sobre o tema deste ano do Dia Internacional dos Museus, "Museus para a igualdade: diversidade e inclusão", e sublinha a necessidade de uma atitude solidária em tempos de crise, da qual o setor pode dar um exemplo."Não esqueçamos que o reforçar deste paradigma digital não chega a todos, estas propostas que muitos vaticinam ser o futuro, alargam ainda mais o fosso entre os que têm acesso e utilizam as tecnologias e os que, por falta de recursos ou de competências técnicas, não conseguem aceder ao universo digital", alerta o ICOM.Chama a atenção para "o caso do ensino à distância e da necessidade de encontrar soluções para tantos que ainda não têm acesso a estes recursos"."Os museus podem e devem ser instrumentos de inclusão e promoção da igualdade, respeitando a diversidade que só a pluralidade garante", sustenta o ICOM Portugal.No documento, este organismo também faz algumas críticas à situação do setor da museologia no país, nomeadamente, o "desinvestimento generalizado nas instituições, com uma preferência manifesta por atividades efémeras, opções desmaterializadas, recurso a soluções que assentam num modelo de fornecimento de serviços"."As equipas técnicas permanentes envelhecem e fragilizam-se, a identidade própria esboroa-se face a programações que respondem a lógicas quantitativas e imediatas, em detrimento da construção de saberes e de solidariedades, de promoção do sentido crítico e da cidadania", acrescenta.Para a nova direção do ICOM Portugal, liderada por Maria de Jesus Monge, "é agora o momento de ousar, de construir uma alternativa sustentável e comprometida".Remetendo para o seu programa, e para a preocupação com a "necessidade de repensar as condições materiais com que se confronta a maioria dos profissionais e instituições museológicas nacionais", a direção do ICOM Portugal aponta ainda que estas instituições vão ter de abordar novas questões suscitadas pela pandemia.A presença por tempo ainda indeterminado das medidas sanitárias impostas pela pandemia de vírus covid-19 "vem alterar as rotinas e impor novos comportamentos".Este organismo prevê que o relacionamento com o público venha a ser afetado, haverá dificuldades em fazer inaugurações, visitas guiadas, oficinas, serviço educativo, entre outras atividades que eram consideradas normais, mas que "implicam de concentração nos espaços e de interação próxima entre pessoas"."Após semanas de contactos mediados por écrans o Homem passará a dispensar a dimensão sensorial? Começaram já os estudos e a avaliação sobre o impacto do intensificar destes recursos", refere, acrescentando que, no imediato a preocupação é cumprir a missão definida pelo ICOM de "reunir, conservar, estudar, comunicar, expor a memória coletiva da Humanidade".Desde 1977 que o ICOM organiza o Dia Internacional dos Museus, com o objetivo de promover o intercâmbio e enriquecimento cultural, o desenvolvimento da compreensão mútua, da promoção da cooperação e da paz entre os povos. Esta efeméride acontece anualmente a 18 de maio, ou em datas próximas, e traduz-se na organização de eventos e atividades comemorativas, unidas internacionalmente pelo tema comum definido previamente pelo ICOM.Este ano a data celebra-se em espaços museológicos que vão obedecer a regras sanitárias definidas pelas autoridades de saúde, e por outras recomendações para o setor, e que passam pelo uso obrigatório de máscara, o distanciamento social e a higienização frequente de mãos e dos espaços.A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou perto de 312 mil mortos e infetou mais de 4,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios.Mais de 1,6 milhões de doentes foram considerados curados.Em Portugal, morreram 1.218 pessoas das 29.036 confirmadas como infetadas, e há 4.636 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.