Conselho de Ilha lamenta “mão cheia de nada” sobre acessibilidades a São Jorge
2 de abr. de 2025, 11:41
— Lusa/AO Online
“Saímos daqui um bocadinho
tristes. Olhando para o panorama geral da cara dos conselheiros consegui
absorver esta informação de que saímos daqui com uma mão cheia de
nada”, lamentou aos jornalistas o presidente do Conselho de Ilha de São
Jorge após a reunião com o Governo dos Açores.Hélder
Martins lembrou que aquele órgão optou por dedicar a reunião com o
executivo açoriano ao tema das acessibilidades, denunciando a
indisponibilidade de voos ao longo do ano e para os constrangimentos na
operação marítima.“Não estaríamos à espera
de um milagre, mas que pelo menos algumas das pretensões tivessem
alguma solução apresentada nesta reunião”, criticou.O
presidente do Conselho de Ilha afirmou que “tudo gira à volta das
acessibilidades”, alertando para impactos económicos, sociais e de
saúde.“A informação que nos foi trazida
foi aquela que já sabíamos. Nos transportes marítimos, os
constrangimentos com o mau tempo. Nos transportes aéreos, a SATA não tem
mais disponibilidade de aviões para voar”, especificou o conselheiro.Por
sua vez, o líder do Governo dos Açores considerou que o “sucesso da
política de acessibilidades” do executivo “deu muito mais ambição a
todos”.“Como tem sido sucesso, agora todos
querem mais. E querem respostas para amanhã, quando as respostas que
temos foi o trabalho que realizámos: o número de voos que aumentamos, de
lugares que disponibilizados e número de toneladas de carga que
passámos a aportar”, reforçou.A propósito
do transporte aéreo, José Manuel Bolieiro sublinhou que é preciso “ver
as listas de espera que justificam voos extraordinários ou o aumento dos
voos regulares” e realçou que os níveis de ocupação das ligações para a
ilha no inverno rondam os 78%.“O que está
programado para o verão IATA aumenta significativamente outra vez o
número de voos e vamos procurar ver a capacidade de resposta”.O chefe do executivo dos Açores avisou, contudo, que também é preciso “dar banhos de realismo” às reivindicações das populações.“O
conselho de administração da SATA está a fazer um esforço de procura de
aeronave. Se o mercado garantir isso podemos ter uma oportunidade. Se
não, temos de nos conformar com as possibilidades reais que temos. É
bom, também, de vez em quando, dar banhos de realismo às ambições”,
disse.No memorando do Conselho de Ilha
enviado ao governo açoriano, a que agência Lusa teve
acesso, os conselheiros defendem que as acessibilidades são o tema
“prioritário e fulcral para o bem-estar, sustentabilidade e
desenvolvimento” de São Jorge.O Governo dos Açores está a realizar até quinta-feira uma visita estatutária a São Jorge.