Conselho de Ilha do Corvo quer “solução urgente” para o transporte de resíduos
12 de abr. de 2023, 15:48
— Lusa
Segundo o documento a submeter ao
Governo dos Açores, no âmbito da sua visita oficial de dois dias à ilha
do Corvo, que se inicia quinta-feira, os conselheiros, liderados por
João Pedras, apontam a necessidade de “encontrar uma solução urgente
para o transporte de resíduos entre o Corvo e o exterior, com recurso a
viagens marítimas extraordinárias, exclusivamente para esse fim”.De
acordo com o estatuto político e administrativo dos Açores, o Governo
Regional tem de visitar pelo menos uma vez por ano todas as ilhas do
arquipélago que não possuem secretarias regionais, como é o caso das
Flores, Corvo, Graciosa, São Jorge, Pico e Santa Maria.O executivo de coligação PSD/CDS-PP/PPM decidiu, este ano, começar pela mais pequena parcela da região.O
Conselho de Ilha do Corvo sugere a “articulação do transporte entre o
Centro de Processamento de Resíduos (CPR) e o Porto da Casa com os
diversos serviços públicos sediados na ilha, o município e a empresa que
explora aquele centro”.Os conselheiros
querem que seja promovida a reparação da cobertura do Centro de
Processamento de Resíduos e que seja “garantida a aquisição/reparação
com equipamentos adequados e indispensáveis ao seu bom funcionamento”.O
organismo pretende a manutenção do navio “Thor B” na rota entre o
Faial, o Corvo e as Flores, bem como a realização por esta embarcação de
“todas as viagens extraordinárias necessárias até que toda a carga com
destino ao Corvo seja reposta”.O Conselho
de Ilha do Corvo quer a contratação de um intermediário na Horta, na
ilha do Faial, que receba a mercadoria com destino ao Corvo e organize a
calendarização das viagens do “Thor B”, assim como uma “comunicação
atempada da planificação das viagens” e uma solução para o embarque e
desembarque de contentores com mais de 10 toneladas, na Horta e no
Corvo.Pretende-se ainda que sejam
incrementadas as viagens da embarcação “Ariel”, entre as Flores e Corvo,
visando, em caso de cancelamento, “assegurar a reposição no dia
seguinte”, bem como o “alojamento e as refeições dos passageiros”.O
Conselho de Ilha preconiza a aquisição e recuperação de casas, de
terrenos e construção de habitações “para resolver a questão da falta de
habitação”, bem como quer saber o “ponto de situação do novo quadro
comunitário e para quando a sua operacionalização”.Para
os conselheiros, é “urgente a realização de uma campanha de
desratização a nível de ilha, também com recurso a armadilhas, numa
intervenção realizada conjuntamente pelos serviços públicos sediados na
ilha, pelo município e pelos privados que pretendam aderir”.O
Conselho de Ilha quer que o Governo dos Açores promova o planeamento de
“uma intervenção de forma a controlar o elevado número de cabras e
ovelhas selvagens existentes no Corvo”, bem como que se faça um estudo
para a recuperação e requalificação das lagoas do Caldeirão.A
ilha do Corvo é a mais pequena parcela dos Açores, situada já na placa
americana, possuindo, de acordo com a operação Censos 2021, 386
habitantes.Os Censos 2021 indicam que os
Açores registaram uma quebra de população residente de 4,1% desde 2011,
com um dos decréscimos mais acentuados a registar-se no Corvo (10,2%),
que nos últimos 10 anos perdeu 44 residentes, passando para 386.Na
altura da divulgação dos dados do Censos 2021, o presidente da Câmara
Municipal do Corvo, José Manuel Silva, referiu que "esse decréscimo
decorre daquilo que foram os critérios para os censos deste ano" e, na
realidade, a ilha "tem bastante mais população" do que revelam as
estatísticas, "devendo ter nesta altura entre 440 a 450 pessoas".