Conselho de Ilha de São Jorge preocupado com acessibilidades aéreas e marítimas
Hoje 09:16
— Lusa/AO Online
No memorando
do Conselho de Ilha enviado ao Governo Regional, a que
agência Lusa teve acesso, os conselheiros apontam as acessibilidades
como “tema prioritário e estruturante para a sustentabilidade, economia e
bem-estar” da ilha.No documento
reivindicativo que vai ser discutido na reunião do Conselho de Ilha com o
executivo, que irá decorrer durante a visita estatutária a São Jorge,
que começa na terça-feira, é reconhecido o esforço que tem vindo a ser
desenvolvido no reforço das acessibilidades, mas consideram que “as
exigências atuais e os novos desafios enfrentados pela ilha impõem a
necessidade de um esforço adicional, contínuo e ajustado à realidade
local”.Nas acessibilidades aéreas, o órgão
presidido por Lena Amaral, refere que “urge garantir ligações diárias
às ‘gateways’ regionais”, bem como voos com horários pós-laborais e
assegurar um voo aos domingos, no horário de inverno, ao final do dia,
para permitir o regresso das equipas desportivas e a saída dos
visitantes de fim de semana.São também
demonstradas preocupações com a escassez de lugares ao longo de todo o
ano, situação que “agrava o isolamento da ilha e penaliza doentes,
estudantes e equipas desportivas”.“Deve
ainda ser equacionada uma solução integrada com as ‘gateways’ do Pico,
permitindo a criação de um bilhete intermodal (marítimo, terrestre e
aéreo), facilitando a mobilidade e aumentando a eficiência das ligações
ao exterior”, propõe.Ao nível das
infraestruturas, os conselheiros defendem a ampliação do parque de
estacionamento do aeródromo e obras de manutenção da cobertura e
sanitários.Relativamente às
acessibilidades marítimas, consideram essencial a reorganização dos
horários da Linha Laranja e o alargamento temporal da operação para
permitir deslocações de ida e volta no próprio dia.O
transporte interilhas de mercadorias deve ser assumido como “um
verdadeiro serviço público”, orientado por critérios de eficiência,
previsibilidade e estabilidade, garantindo maior fiabilidade no
abastecimento e na dinâmica económica da ilha.Em
relação às acessibilidades terrestres, refere-se no documento que a
ilha de São Jorge continua carente de uma rede de transportes coletivos
funcional e pede-se a requalificação urgente de estradas degradadas e a
criação de vias alternativas às vilas das Velas e Calheta.Na
área da saúde, os conselheiros sublinham a importância da ampliação do
Centro de Saúde da Calheta e a fixação de médicos e de enfermeiros,
enquanto no domínio da Proteção Civil, consideram prioritária a
manutenção do serviço operacional noturno na secção do Topo e solicitam a
reavaliação da decisão da Associação de Bombeiros Voluntários da
Calheta.Na ação social, o Conselho de Ilha
de São Jorge salienta, entre outras iniciativas, a ampliação dos lares
de idosos da Calheta e das Velas, enquanto na educação pede uma
“intervenção urgente” na escola do Topo e a avaliação e clarificação das
condições térmicas da Escola Básica e Secundária das Velas.No
documento, os conselheiros também salientam o reforço da candidatura do
queijo São Jorge a Património Cultural Imaterial da UNESCO,
“considerando o seu valor identitário, histórico e económico para a
ilha, devendo o Governo Regional assumir este processo como prioritário e
estratégico”.No domínico da agricultura,
pedem a manutenção dos caminhos agrícolas e o aumento da capacidade de
armazenamento de água, enquanto à Secretaria Regional do Mar e das
Pescas solicitam esclarecimentos sobre o estudo do grupo de trabalho
relativo à gestão adaptativa da ameijoa da Fajã da Caldeira de Santo
Cristo.O Conselho de Ilha de São Jorge
manifesta também preocupação com a “persistente regressão demográfica e
com a saída continuada de jovens”, fatores que “continuam a fragilizar a
sustentabilidade económica, social e territorial” da ilha.O Governo dos Açores vai iniciar na terça-feira uma visita estatutária de dois dias à ilha de São Jorge, no grupo Central.O
Conselho de Ilha é um órgão consultivo do Governo dos Açores composto
pelos presidentes das câmaras e assembleias municipais da ilha, por
quatro membros eleitos de cada assembleia municipal, por três
presidentes de junta de freguesia, um representante do Governo Regional
(sem direito a voto) e vários membros das organizações sociais,
ambientais, culturais e empresariais da ilha.