Conselho de Ilha de São Jorge diz que construção de matadouro é “necessidade urgente”
18 de set. de 2023, 13:08
— LUSA/AO online
“Uma das grandes preocupações que já tínhamos e
que, aparentemente, tem um princípio à vista, é o nosso matadouro, que é
uma obra estruturante extremamente necessária”, afirmou à agência Lusa
Lena Amaral, na véspera do início de uma visita estatutária do Governo
dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) à ilha de São Jorge.O
concurso para a obra foi lançado em agosto e a responsável espera que o
mesmo não fique “deserto” e que “no início do próximo mês” esteja
“alguém a concorrer, para que essa obra possa avançar”.Lena Amaral admite tratar-se de “uma necessidade urgente para a ilha” de São Jorge.No
dia 17 de agosto foi publicado em Diário da República e no Jornal
Oficial da União Europeia o anúncio para o concurso público
internacional para construção do novo matadouro de São Jorge, pelo
Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas, no âmbito do Plano de
Recuperação e Resiliência.Segundo o
Governo Regional, o concurso tem o preço base de 10,9 milhões de euros e
a data limite para entrega de propostas é 09 de outubro.Para
além da construção do novo matadouro, o Conselho de Ilha de São Jorge
destaca preocupações em relação à fixação de jovens e à escassez de
mão-de-obra.“Somos uma ilha com pouca
população. O despovoamento está à vista, não só pela emigração, mas
também pelos estudantes que acabam por ir fazer os seus estudos para
fora e que depois acabam por não regressar, por outras oportunidades que
lhes surgem. E nós precisamos de pessoas”, disse a sua presidente.Lena
Amaral referiu que as empresas “têm interesse em ter pessoas de fora”,
mas não conseguem recrutá-las “devido aos processos burocráticos da
imigração”.“Nós precisamos de gente. Todas
as áreas profissionais têm carência, quer a construção [civil], quer o
turismo, quer a restauração. Nós temos falta de pessoas”, vincou.A
presidente do Conselho de Ilha defende a criação de benefícios para que
os jovens no início de carreira “sentissem interesse” em permanecer na
ilha de São Jorge.Na área da saúde, apesar
de o Governo açoriano inaugurar na quarta-feira a empreitada de
reabilitação e beneficiação do Centro de Saúde das Velas, existem outras
situações por resolver.“Nós também
precisamos de especialistas na ilha, para evitar a deslocação de doentes
para as outras ilhas. Às vezes é apenas para uma consulta”, observou
Lena Amaral.A entrada em funcionamento do
ginásio da Escola Básica da Calheta, uma obra “feita de raiz e que nunca
funcionou”, é outra das inquietações do Conselho de Ilha de São Jorge.A
sua presidente também está preocupada com o atraso na beneficiação do
caminho de ligação ao farol, que é "fundamental" para a agricultura e
para o turismo.Na terça-feira, o Governo
dos Açores inicia uma visita estatutária de três dias a São Jorge que
inclui uma reunião com o Conselho de Ilha.O
Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores
determina que o Governo Regional deve visitar cada ilha do arquipélago,
pelo menos, uma vez por ano e reunir o Conselho de Governo na ilha
visitada.